Arquivo de outubro, 2012

Protótipo do OTC-X1

No final dos anos 50, um “homem de negócios” chamado Otis T. Carr, afirmava ter descoberto o “futuro” dos veículos de locomoção, criando uma campanha publicitária um tanto quanto amadora, e com alguns requintes de fraudes no mercado de ações, Carr alegava ter descoberto o que ele chamava de “Acumulador ULTRON”, um tipo de escudo molecular em forma de “concha”, que abrigaria os átomos do ambiente, onde os mesmos se “chocariam” criando um tipo de “fusão atômica suave” que ao ser liberada se manifestaria em dois polos magnéticos opostos, que faria um veículo voar.

Por incrível que pareça, isso parece ter fundamento, pelo menos para Ralph Ring, um dos engenheiros que trabalhou com Carr em seu projeto, Ring até hoje afirma, ele mesmo ter “voado” em um desses protótipos, o qual, eles alcançaram o destino estipulado em questão de segundos, onde o voo se pareceu muito mais com um tipo de “teleporte”, pois, ainda sendo Ring, eles teriam “decolado” e “aterrissado” no mesmo instante, sem nenhum lapso de tempo.

Otis T. Carr, era nessa época mais conhecido como, o “Rei dos discos não voadores”, e mesmo alegando ter sido um aluno de Nikola Tesla, o qual lhe confiou “os segredos do magnetismo”, sua nova tecnologia não era vista seriamente, embora o principio de suas ideias não pareçam totalmente sem fundamento.

Segundo Carr, qualquer veículo que acelerar seu eixo de rotação em relação à sua massa inercial, se tornará imediatamente ativado por um espaço livre de energia, atuando como uma força independente, embora pareça ter sentido, Carr nunca conseguiu provar de forma prática o funcionamento dessas teorias, e hoje em dia, é considerado uma fraude, que faturou alguns milhares de dólares ( e alguns processos jurídicos também ) vendendo “tecnologia não-funcional”.

Essa história ficou esquecida durante muitos anos, mesmo depois da morte de Otis Carr, nunca mais se ouviu falar do ULTRON, nem que fim teve a “revolucionária tecnologia de voo”, até que alguns anos atrás, o pessoal do grupo “Projeto Camelot” redescobriu o único engenheiro do projeto original do ULTRON ainda vivo, Ralph Ring.

Depois de ver suas várias entrevistas e palestras sobre energia livre, magnetismo e é claro, ULTRON, podemos pensar duas coisas, ou ele é um velhinho muito louco ou realmente eles criaram algum tipo de máquina de voo, que não deu muito certo, pelo menos não com o propósito de voar, mas sim um meio de “ teleporte” instantâneo que funcionaria de forma muito simples, usando forças magnéticas do próprio ambiente.

De qualquer forma, ainda em 1949, Carr conseguiu registrar a patente do seu invento,  e consequentemente conseguiu atrair a atenção do governo americano, que de começo se interessou pelo projeto, com a isso a empresa de Carr, a OTC Enterprises, vendeu milhares de ações, Carr e seus associados ganharam um bom dinheiro e puderam, enfim, criar os primeiros protótipos.

Em 1952, o primeiro protótipo a usar o acumulador de ULTRON estava pronto, o modelo com 4 centimetos de diamento conseguiu produzir uma energia equivalente a 1.000 toneladas, provando que o sistema desenvolvido por Carr realmente funcionava.

O próximo passo seria a fabricação em massa desses veículos, que até então, eram apenas protótipos pequenos, e  discos tripulados, caso dos OTC-X1.

Modelo do OTC-X1 de 10m de diametro

Não se sabe muito bem porque, mas Carr, chegou a construir modelos muito maiores, com cerca de 10 metros de diâmetro, porém nunca ficou provado que eles teriam o mesmo desempenho dos protótipos menores, nunca ouve nenhuma demonstração pública do funcionamento desses “discos” maiores, porém, Ralph Ring afirma que ele, juntamente com Carr e um outro engenheiro, viajaram em um desses protótipos, que supostamente mais tarde, foram apreendidos pelo governo americano, juntamente com as plantas de todos os projetos de Carr, o qual foi processado por venda de tecnologia não-funcional e fraude ( o famoso “171” ).

OTC-X1

Curiosamente, a patente registrada do acumulador ULTRON não consta como a de um aparelho de transporte, e sim de um brinquedo, um aparelho que serviria apenas como um passatempo de diversão qualquer, porém, não tirando o mérito de que ele realmente funcionava.

Carr alegava ter construído discos com até 45 metros de diâmetro, porém nunca testados em público, em Abril de 1959, data marcada para uma demonstração pública, Carr não compareceu, se dizendo “indisposto e se sentindo mal”.

O engenheiro Ralph Ring, que trabalhou no projeto do OTC-X1

Em 1961, Carr foi condenado a 14 anos de prisão, por crimes de fraude imobiliária, por não ter como pagar a fiança de 5.000 dólares, ele cumpriu parte da pena na cadeia, e após o termino de sua sentença viveu no anonimato até sua morte em Pittsburgh, em 1982.

Otis T. Carr escreveu um livro, onde de forma “confusa” e cheio de enigmas, ele descreve suas experiências e outros escritos um tanto quando sem sentido, alguns alegam que esse livro, contém “os segredos do ULTRON” em forma codificada.

Carr deixou alguns layouts e desenhos do seu OTC-X1, e alguns outros desenhos são encontrados no registro de sua patente de 1959, que mostram em vista “cortada” o esquema do acumulador.

visão interna do OTC-X1 usando os “acumuladores ULTRON”

Hoje em dia, alguns pesquisadores e universitários, fazem protótipos semelhantes aos de Carr, onde eles alegam que embora o projeto de Carr tenha uma certa lógica, parece faltar ainda alguma coisa, que não consta dos desenhos existentes do OTC-X1, que serve para alimentar uma série de “teorias conspiratórias” sobre o que realmente era o ULTRON e até onde teria chegado Otis T. Carr, teria sido ele uma farsa ou realmente um visionário além de seu tempo?

 

 

 

 

 

 

 

 

( artigo publicado no extinto site rizoma.net )

Gregory Sinaisky

Como distinguir uma reportagem autêntica de um artigo fabricado para

produzir o efeito de propaganda desejado? A guerra no Iraque nos

fornece muitas amostras para um estudo das técnicas da desinformação.

Observe o título: “Xiitas de Basra organizam revolta e atacam tropas do

Governo”, publicado em 26 de março no The Wall Street Journal Europe .

Utilizando-o como exemplo, tentaremos armar os nossos leitores com

princípios básicos das técnicas de análise da desinformação, com a

esperança de que no futuro isso lhes permita detectar o que é fraude.

O título do artigo soa bastante definitivo. O artigo, contudo, começa com

muito menos certeza. “Oficiais militares dizem que a população xiita de

Basra … deu a impressão de estar se rebelando”. As sentenças “oficiais

militares” e “deu a impressão de estar” deveriam imediatamente fazer

com que surja um alerta para o leitor, especialmente devido a sua má

combinação com o título que é tão definitivo. Por que “oficiais”? Eles

falavam em coro? Ou cada um deles estava apenas proporcionando uma

informação complementar? Uma reportagem verdadeira certamente nos

responderia estas perguntas e também nos informaria os nomes dos

oficiais ou no mínimo diria a razão porque não podem ser identificados.

Por que foi utilizada a frase “deu a impressão”? Existem sempre razões

específicas para que algo “dê a impressão”. Por exemplo, a notícia sobre a

revolta da população xiita de Basra pode ser incerta porque foi fornecida

por um desertor iraquiano que não é considerado confiável e não foi

confirmada por outras fontes. Mais uma vez, todo repórter profissional

entende que seu trabalho é proporcionar tais pormenores e são

exatamente estes pormenores que tornam sua reportagem valiosa,

interessante e memorável. Se todos estes importantes pormenores não

estiverem presentes, isto é com certeza um sinal para suspeitar de

desinformação intencional.

Mais abaixo neste artigo notamos exemplos ainda mais espantosos de

imprecisões. “Repórteres no local disseram que as tropas iraquianas

atiravam nos cidadãos que protestavam…”. Para um leitor perspicaz, esta

pequena sentença deveria levá-lo a todo um conjunto de questões.

Estariam os jornalistas mencionados incorporados nas tropas? Qual era a

sua localização e a que distância observavam os acontecimentos?

Obviamente, estar numa cidade sitiada e onde ocorrem tumultos é um

trabalho extremamente perigoso. Por que nos foram ocultados os nomes

dos repórteres autores deste brilhante feito, ao invés de proclamá-los

com orgulho? Por que não quiseram contar de onde observavam e como

conseguiram chegar lá? De qualquer maneira, em tais circunstâncias,

estar mais próximo da cena do que a distância de um tiro de rifle,

digamos um quilômetro, merece uma explicação especial. Agora, uma

questão interessante: quais são os indícios visuais que permitem a um

repórter, a esta distância, distinguir entre uma revolta e, digamos, tropas

que disparavam sobre saqueadores ou outras muitas explicações

possíveis para os mesmos fatos observados?

A única pista que posso imaginar não é visual, mas uma indicação oral de

um editor pedindo a um jornalista que relate — o que não podemos

explicar de nenhuma outra forma senão como uma tentativa de

desinformação intencional. Dada a natureza muito específica da

desinformação produzida neste caso particular, seu óbvio efeito tanto

sobre a resistência iraquiana como sobre a opinião pública anti- guerra,

não podemos encontrar nenhuma outra explicação para este fato —

exceto que The Wall Street Journal colabora diretamente com o

departamento de guerra psicológica do Pentágono.

Alguma luz inesperada é lançada a esta estória através da expressão: “UK:

Iraque sente forte reação em Basra”, publicada na CNN.com, também em

26 de março. Neste artigo, a reportagem original sobre uma revolta de

civis é atribuída a “autoridades militares britânicas e a jornalistas”, mais

uma vez não identificados. Aqui, o coro dos “oficiais” que cantam em

uníssono com os “jornalistas” faz com que alguma coisa se torne mais

específica. Uma declaração extremamente bizarra é relatada: “Temos

radares que, ao acompanharem a trajetória dos tiros de morteiro, são

capazes de descobrir a fonte e o alvo de destino, que neste caso eram

civis de Basra”. Portanto, agora sabemos que a revolta em Basra fora

detectada por oficiais britânicos e jornalistas que observavam uma tela de

radar! Este inacreditável radar britânico pode até mesmo distinguir um

oficial do Iraque de um simples cidadão e um civil de um soldado. Além

disso, aparentemente pode ler mentes e determinar as razões porque as

pessoas disparam umas sobre as outras!

Na verdade, há uma grande mentira na informação atribuída aos oficiais

britânicos. Ou talvez eu esteja errado e este seja um exemplo do famoso

senso de humor britânico posicionado para livrar-se dos impertinentes

correspondentes americanos? Coro dos correspondentes americanos:

Está acontecendo uma revolta em Basra? Sim, deve estar. O meu editor

pediu-me que noticiasse isso. Como vocês ficaram sabendo? Isto é

impossível, meu editor me disse que…” Oficial britânico: “Tudo bem. Eu

vejo isso no radar”. Sons de telefones celulares sendo discados e teclados

digitados…

Conclusão: Lembrem a primeira regra de análise da desinformação: a

verdade é específica e a mentira é vaga. Procure sempre por detalhes

concretos em uma reportagem e se o quadro não estiver focado, deve

haver razões para isso.

Querem saber os nomes das estrelas da desinformação para examiná-los?

O artigo de The Wall Street Journal foi “compilado” por Matt Murray em

Nova Iorque, a partir de reportagens feitas por Christopher Cooper em

Daha, no Qatar, Carla Anne Robbins e Greg Jaffe em Washington, e

Helene Cooper com a 3ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados

Unidos, no Iraque.

 

Tradução de Cristiane Abreu

 

O original deste artigo está publicado no Asian Times.