Arquivo da categoria ‘Livros’

Como vocês devem ter notado, estive ausente do blog esses últimos meses…estou mergulhando em algumas pesquisas e estudos e brevemente estarei de volta com muito material para o blog, muita coisa interessante.

Estou postando esse ótimo livro de Wilhelm Reich apenas para dar o “ar da graça” e matar a saudade das postagens no blog, é uma ótima leitura, aproveitem e até mais!

 

A Biopatia do câncerO que é o câncer? Tradicionalmente, a ciência médica o classificou como um tumor intrusivo que surgia espontaneamente em um organismo, de resto, saudável. Em contraste com essa definição, Wilhelm Reich define o câncer não como um tumor – simples manifestação tardia da doença, mas como uma doença sistêmica causada pela frustração do funcionamento sexual natural.

 

 

 

 

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Obra clássica do escritor e filósofo canadense autor de mais de 150 livros e ensaios sobre ocultismo e temas relacionados, versão em espanhol.

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Pranayama

66 variações de exercícios de pranayamas, bandhas, mudras, pranayamas e demais conteúdo.

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Liberdade religiosa ou condescendência com a burrice?
Paulo Ghiraldelli Jr.

Liberdade da religião
Conta a história das ideias que ao longo dos debates do século XVIII na França, a respeito do mundo que
poderia emergir a partir do movimento do Enciclopedismo, os filósofos franceses Diderot e Voltaire
conversavam sobre o futuro da religião, investigando se esta poderia ou não ser abolida. Diderot defendia uma
postura radicalmente materialista. Para ele, era possível uma moral completamente laica e, portanto, não se
fazia necessária a manutenção da religião. Voltaire concordava com ele, contanto que tal moral laica ficasse
apenas para os intelectuais. Para as massas populares nada escolarizadas ou pouco escolarizadas, Voltaire
aconselhava que os códigos ético-morais fossem ainda os religiosos. Voltaire não acreditava que as leis morais
pudessem ser cumpridas pela população se elas fossem ensinadas como não vindo de entidades divinas.
Esse debate não é mais o nosso, mas vivemos, ainda, sob a esteira de seus dividendos. Uma boa parte dos
intelectuais liberais mais sofisticados não possui nenhuma prática religiosa. Eles conduzem suas vidas segundo
uma moral laica, em geral pragmática. São pessoas que, como eu próprio, não precisam se colocar nem como
ateus e nem como crentes religiosos. São aqueles que notaram que a frase “Deus está morto”, de Nietzsche, era
uma consequência natural da estocada positivista contra a busca do absoluto, ou seja, contra o que havia
restado de movimento metafísico após o ataque de David Hume. Mas uma boa parte da nossa sociedade se
move eticamente a partir de preceitos religiosos. Entre estes, havia até pouco tempo dois tipos de pessoas:
aqueles que absorviam a ética cristã, principalmente a criada a partir da Igreja de Paulo, independentemente
dela ser ou não religiosa, ou seja, sagrada; e aqueles que a absorviam a partir do que entendiam como sendo o
seu caráter sagrado. Mas, agora, há uma nova forma de entrelaçamento entre ética e religião, aquela nascida
do crescimento das igrejas evangélicas entre nós e, como reação a isto, o aparecimento de correntes altamente
conservadoras na Igreja Católica. Um novo tipo de brasileiro tem emergido entre nós, a partir dessa situação
que passou a vingar principalmente no final dos anos oitenta.
Esse terceiro grupo de pessoas não possui nenhuma ética organizada. Eles não sabem o que é o certo e o que é
errado a partir de uma relação entre suas faculdades racionais e determinados códigos éticos, laicos ou
religiosos. Eles se movem por regras simples de uma pseudo-ética. E então são presas fáceis de outra
pseudo-ética, a das igrejas. Essa falsa ética ou pseudo-ética, no Brasil, lhes é dada por pequenos preceitos
supérfluos, criados no interior do movimento de proliferação de igrejas dos anos noventa e de agora. É onde
essas pessoas um tanto perdidas encontram uma certa “comunidade” que as acolhe e lhes dá uma mínima
“visão de mundo”, que lhe dá algo que parece um sentido para suas vidas mentais até então simplórias ou
apenas desorganizadas.
Uma ética e uma moral se consubstanciam, no limite, em conjuntos de apontamentos sobre o que é interessante
fazer e o que é inútil ou nocivo de levar adiante. Ou seja, trata-se do ethos de um povo transformado em código
de conduta explícito, fácil de ser absorvido pelas crianças, relembrado pelos adultos e ensinado aos
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Liberdade religiosa ou condescendência com a burrice? Paulo Ghiraldelli Jr.
estrangeiros. Todavia, isso não pode ser aplicado pelas igrejas, uma vez que isso afastaria a população dos
templos — antes somente os dos evangélicos, agora também os dos católicos. Na competição para arrecadar
almas pagantes ou almas que pela presença conferem poder ao pastor (que ele pode reverter em poder político
e financeiro), as igrejas perceberam que precisam criar um sistema facilitador em relação às proibições. Eis um
exemplo: não se pode condenar um fiel que vende um terreno para outro fiel pelo dobro do preço que vale, pois
esta é a regra geral pela qual todos vivem ali na “comunidade”, então, pode-se substituir essa proibição por
uma como “não dizer palavrões”. Outro exemplo: não se pode condenar um fiel por ele não ter nenhuma
piedade com um mendigo na frente da igreja, pois na comunidade ninguém pode parar a vida para cuidar dos
que estão na rua (repare como os “crentes” têm ficado endurecidos de coração, como os católicos já foram
acusados disso), então pode-se substituir tal condenação por uma aleatória, a de ter faltado no culto do dia X ou
Y. As regras de uma conduta ético moral ligada à religião, no caso, a cristã, são substituídas por regras de cada
igreja, segundo um sistema de proibições rígido, porém irracional e baseado apenas na necessidade de que se
tenha, ainda, algo que é dito que “não pode”. Sobra da religião não o “pode isto e não pode aquilo”, da doutrina
que, por sua vez, estaria fundada numa filosofia e numa teologia, e sim o “não pode aquilo”, mas “aquilo” é
apenas algo sem sentido.
É claro que tudo isso é ajudado por outros mecanismos, principalmente o atrativo do “milagre”, da “cura
imediata” ou da “salvação” que, enfim, não é a salvação contra o Mal, e sim a salvação financeira ou o
desemprego ou a falta de sorte etc. Ou seja, o Mal se traduz em males da cada um, em um sentido moral bem
empobrecido. O pastor promete dar ao fiel não um Deus ou um Jesus ou coisa parecida, nos cânones do
cristianismo que conhecíamos antes dos anos noventa. Ele promete dar um Mágico, alguém do Além que pode
ser chamado, a qualquer momento, para resolver problemas cotidianos. O azar na vida é coisa mostrada como
produto de uma entidade denominada “Demônio”. A sorte pode ser restabelecida pela fé, uma fé esvaziada de
religiosidade, ou seja, algo que se faz sentir a partir do pronunciamento de palavras do tipo “Sangue de Jesus
tem poder”, exatamente como Mandrake poderia dizer “Abracadabra”. Isso quando não é o caso do pastor, na
própria igreja transformada em picadeiro de circo, fazer uns movimentos físicos para dominar o Tinhoso! Esse
tipo de prática, semelhante a um resto de neopaganismo de tipo bárbaro, agora atinge não só evangélicos, mas
católicos e espíritas que começam a se sentir atraídos para o mundo da completa incapacidade de se adaptar a
uma mentalidade científica. Mas se engana aquele que acredita que isso agarra somente os desescolarizados no
Brasil de hoje. Há muitas pessoas nas universidades “pensando” dessa maneira.
Volto a Diderot e Voltaire. Este, quando dizia que a religião deveria ser mantida mesmo num mundo
reconstruído pelo Iluminismo, imaginava que a religião cristã poderia se limitar aos cânones de sofisticação
teológica que havia alcançado. Isso implicava, então, a manutenção da completa transcendência de Deus. Desse
modo, Deus ou Jesus ou qualquer coisa parecida com entidades divinas, estaria em contato com os homens por
meio de rituais privados, ouvindo os homens. Caso houvesse qualquer intervenção divina no mundo dos homens,
tal intervenção seria “filtrada” pela alma humana que, então, ao lembrar-se dos exemplos das entidades divinas
(por exemplo, a vida de Jesus ou dos santos etc.), inspiraria atos mentais, de caráter intelectual e moral. Mas
não foi assim que as coisas evoluíram em nossos tempos recentes. No movimento de proliferação de igrejas dos
anos noventa, e que continua agora mais forte que nunca, ninguém é “tocado” pela inspiração dessa maneira.
Todos são tocados de modo mágico. Entidades tais como Deus, Jesus ou o Demônio, atacam diretamente a Terra,
interferindo nas relações causais, ou seja, quebrando a ordem natural (mandando a Física, a Biologia etc às
favas). O que antes se chamava de milagre — em relação ao qual a Igreja Católica criava todo um processo
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Liberdade religiosa ou condescendência com a burrice? Paulo Ghiraldelli Jr.
enorme de investigação para conceder fé — agora se tornou possível para qualquer corretor de imóveis sem
registro ou vendedor de carnê do Baú, que pode colocar um terno surrado e virar pastor ao carregar embaixo
do braço um negócio que ele chama de Bíblia. E os “abracadabras” correm o país. Não há nada menos religioso
que isso. Mas é isto que domina a juventude brasileira e, pasmem, já domina também boa parte de nosso
professorado na escola básica.
Nós não vamos tornar o Brasil um bom lugar de viver deixando nossas crianças nas mãos desse tipo de gente,
com essa mentalidade. Estamos dando diplomas de professores, na universidade pública, para pessoas que não
pensam de maneira racional. Elas são cativas dessas igrejas. Logo teremos uma mentalidade mística em cargos
importantes da República. Gente incapaz de entender como funciona mecanismos de inflação ou como que é
possível evitar a dengue. Será difícil fazer do país uma grande nação com esse tipo de mão de obra,
completamente imbecilizada. Estamos confundindo liberdade religiosa com condescendência à burrice. Temo
que paguemos todos, de modo drástico, por esse nosso descuido. Esse descuido de nossas universidades para
com a evolução da barbárie embaixo de nossos narizes.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.
fonte: Paulo Ghiraldelli Jr. – Blog do Filósofo