Arquivo da categoria ‘Top Secret’

Protótipo do OTC-X1

No final dos anos 50, um “homem de negócios” chamado Otis T. Carr, afirmava ter descoberto o “futuro” dos veículos de locomoção, criando uma campanha publicitária um tanto quanto amadora, e com alguns requintes de fraudes no mercado de ações, Carr alegava ter descoberto o que ele chamava de “Acumulador ULTRON”, um tipo de escudo molecular em forma de “concha”, que abrigaria os átomos do ambiente, onde os mesmos se “chocariam” criando um tipo de “fusão atômica suave” que ao ser liberada se manifestaria em dois polos magnéticos opostos, que faria um veículo voar.

Por incrível que pareça, isso parece ter fundamento, pelo menos para Ralph Ring, um dos engenheiros que trabalhou com Carr em seu projeto, Ring até hoje afirma, ele mesmo ter “voado” em um desses protótipos, o qual, eles alcançaram o destino estipulado em questão de segundos, onde o voo se pareceu muito mais com um tipo de “teleporte”, pois, ainda sendo Ring, eles teriam “decolado” e “aterrissado” no mesmo instante, sem nenhum lapso de tempo.

Otis T. Carr, era nessa época mais conhecido como, o “Rei dos discos não voadores”, e mesmo alegando ter sido um aluno de Nikola Tesla, o qual lhe confiou “os segredos do magnetismo”, sua nova tecnologia não era vista seriamente, embora o principio de suas ideias não pareçam totalmente sem fundamento.

Segundo Carr, qualquer veículo que acelerar seu eixo de rotação em relação à sua massa inercial, se tornará imediatamente ativado por um espaço livre de energia, atuando como uma força independente, embora pareça ter sentido, Carr nunca conseguiu provar de forma prática o funcionamento dessas teorias, e hoje em dia, é considerado uma fraude, que faturou alguns milhares de dólares ( e alguns processos jurídicos também ) vendendo “tecnologia não-funcional”.

Essa história ficou esquecida durante muitos anos, mesmo depois da morte de Otis Carr, nunca mais se ouviu falar do ULTRON, nem que fim teve a “revolucionária tecnologia de voo”, até que alguns anos atrás, o pessoal do grupo “Projeto Camelot” redescobriu o único engenheiro do projeto original do ULTRON ainda vivo, Ralph Ring.

Depois de ver suas várias entrevistas e palestras sobre energia livre, magnetismo e é claro, ULTRON, podemos pensar duas coisas, ou ele é um velhinho muito louco ou realmente eles criaram algum tipo de máquina de voo, que não deu muito certo, pelo menos não com o propósito de voar, mas sim um meio de “ teleporte” instantâneo que funcionaria de forma muito simples, usando forças magnéticas do próprio ambiente.

De qualquer forma, ainda em 1949, Carr conseguiu registrar a patente do seu invento,  e consequentemente conseguiu atrair a atenção do governo americano, que de começo se interessou pelo projeto, com a isso a empresa de Carr, a OTC Enterprises, vendeu milhares de ações, Carr e seus associados ganharam um bom dinheiro e puderam, enfim, criar os primeiros protótipos.

Em 1952, o primeiro protótipo a usar o acumulador de ULTRON estava pronto, o modelo com 4 centimetos de diamento conseguiu produzir uma energia equivalente a 1.000 toneladas, provando que o sistema desenvolvido por Carr realmente funcionava.

O próximo passo seria a fabricação em massa desses veículos, que até então, eram apenas protótipos pequenos, e  discos tripulados, caso dos OTC-X1.

Modelo do OTC-X1 de 10m de diametro

Não se sabe muito bem porque, mas Carr, chegou a construir modelos muito maiores, com cerca de 10 metros de diâmetro, porém nunca ficou provado que eles teriam o mesmo desempenho dos protótipos menores, nunca ouve nenhuma demonstração pública do funcionamento desses “discos” maiores, porém, Ralph Ring afirma que ele, juntamente com Carr e um outro engenheiro, viajaram em um desses protótipos, que supostamente mais tarde, foram apreendidos pelo governo americano, juntamente com as plantas de todos os projetos de Carr, o qual foi processado por venda de tecnologia não-funcional e fraude ( o famoso “171” ).

OTC-X1

Curiosamente, a patente registrada do acumulador ULTRON não consta como a de um aparelho de transporte, e sim de um brinquedo, um aparelho que serviria apenas como um passatempo de diversão qualquer, porém, não tirando o mérito de que ele realmente funcionava.

Carr alegava ter construído discos com até 45 metros de diâmetro, porém nunca testados em público, em Abril de 1959, data marcada para uma demonstração pública, Carr não compareceu, se dizendo “indisposto e se sentindo mal”.

O engenheiro Ralph Ring, que trabalhou no projeto do OTC-X1

Em 1961, Carr foi condenado a 14 anos de prisão, por crimes de fraude imobiliária, por não ter como pagar a fiança de 5.000 dólares, ele cumpriu parte da pena na cadeia, e após o termino de sua sentença viveu no anonimato até sua morte em Pittsburgh, em 1982.

Otis T. Carr escreveu um livro, onde de forma “confusa” e cheio de enigmas, ele descreve suas experiências e outros escritos um tanto quando sem sentido, alguns alegam que esse livro, contém “os segredos do ULTRON” em forma codificada.

Carr deixou alguns layouts e desenhos do seu OTC-X1, e alguns outros desenhos são encontrados no registro de sua patente de 1959, que mostram em vista “cortada” o esquema do acumulador.

visão interna do OTC-X1 usando os “acumuladores ULTRON”

Hoje em dia, alguns pesquisadores e universitários, fazem protótipos semelhantes aos de Carr, onde eles alegam que embora o projeto de Carr tenha uma certa lógica, parece faltar ainda alguma coisa, que não consta dos desenhos existentes do OTC-X1, que serve para alimentar uma série de “teorias conspiratórias” sobre o que realmente era o ULTRON e até onde teria chegado Otis T. Carr, teria sido ele uma farsa ou realmente um visionário além de seu tempo?

Anúncios

A história da medicina sempre teve um íntimo contato com o que conhecemos como sendo a medicina alternativa,  entretanto para cada nova idéia, cada nova teoria, cada novo método de cura, o chicote da medicina convencional açoitava sem misericórdia essas novas descobertas.

Existem muitas histórias de alguns bravos homens, determinados em curar a humanidade de forma gratuita e simples, algumas delas comprovadas cientificamente, como a do cientista Lauerence Burton , entre outros.

Nessa matéria contaremos a história de um desses homens, uma história de esforços e decepções que nos ensina  como a industria farmacêutica controla deliberadamente quem vive e quem morre na atual medicina convencional.

Royal Raymond Rife

O Dr.Rife ainda em meados de 1930 já havia descoberto uma forma a custos baixíssimos de curar não somente o câncer, mas também as mais mortais doenças que assolam nossa sociedade nos dias de hoje.

Sua pesquisa foi destruida, seus sócios foram desacreditados alguns inclusive mortos em situações e circunstâncias inusitadas, após anos de perseguição o próprio Dr.Rife morreu por uma overdose que lhe foi administrada na hospital de San Diego, na Califórnia em 1971.

Raymond Rife foi provavelmente um dos mais brilhantes e por que não dizer, mais persistentes cientistas que já caminharam por esse planeta, premiado em mais de 14 ocasiões pelo governo por suas pesquisas e um honrável reconhecimento médico dado pela Universidade de Heidelberg na Alemanha.

Quando a  tecnologia da época ainda não permitia, Rife, atravéz de investimentos de alguns milionários como Henry Timken, inventou um microscópio universal que tinha mais de 5.600 partes e que possuia uma magnitude de 60.000 vezes !

Esse inacreditável grau de magnitude lhe permitiu que fosse possível observar os vírus e bactérias ainda vivos enquanto ele aplicava o metodo de MOR ( Mortal Oscillatory Resonance ).

Com isso ele foi capaz de destruir todas as formas de organismos maléficos, incluindo organismos de origem cancerígena simplesmente usando um feixe de alta frequência que era modulada de acordo com o organismo alvo.

Rife aplicava conhecimentos que já eram explorados em 1893 por Nikola Tesla e seu gerador de plasma frio. A técnica de Rife se fundamentava no conhecimento de que, cada ser  no universo, vivo ou morto possui sua própria “frequência ressonante”

Conhecendo a frequencia de cada organismo e aplicando a frequencia resonante correta nesse organismo ou objeto, faria com que ele “vibrasse ” até literalmente se desintegrar. Isso pode ser facilmente observado se colocando uma garrafa de vidro perto de uma cantora de opera, onde a vibração de suas cordas vocais quando direcionada para uma frequência fará a garrafa se explodir em pedaços. O mesmo principio se aplica para qualquer organismo.

É interessante notar que um microscópio de magnitude de 60.000x é algo incrivelmente poderoso, até mesmo se comparado aos dias de hoje, um  microscópio de eletrons por exemplo, embora ofereça uma altissíma magnitude ( 10.000x ) apenas consegue observar organismos já mortos. A habilidade de poder observar organismos ainda vivos e examina-los oferece  um novo patamar  para desenvolvimento de curas e diagnósticos.

Graças a esse poderoso instrumento  Rife conseguiu provar que frequências ressonantes quando aplicadas devidamente poderiam ” desintegrar ” os mais variados tipos de organismos causadores do câncer entre outras doenças.

Embora Rife tenha provado que o método era eficaz e poderia curar uma infinidade de doenças, ele foi implacavelmente perseguido, várias foram as tentativas de desmoralizá-lo publicamente,  a AMA ( American Medical Association ) o perseguiu  sem  tréguas por toda sua vida após suas descobertas.

Rife chegou a dizer que era vitíma de uma complexa e muito bem estruturada rede conspiratória que tentava a todo custo destruir e desacreditar sua pesquisa , a  qual ele estava certo que poderia salvar vidas a custos insignificantes, o que obviamente causou a preocupação da poderosa e multi-bilionaria indústria farmacêutica.

Rife teve sua vida destruida, os méritos de sua pesquisa com MOR jamais foram publicamente reconhecidas, felizmente sua pesquisa não foi  totalmente destruida, e ele não estava só , o cientista russo Geroges Lakhovsky ainda em 1924 já fazia pesquisas usando osciladores de auta-frequência e estudos de campo com o MOR e mais tarde desenvolveu o principio MWO ( Multi-Wave Oscillator ) que usava dois tipos de osciladores, um transmissor e outro receptador com resultados de cura em 100% dos casos.

Em seu livro ” A Cura do Cancêr que Funcionou,1987 ” o escritor Barry Lynes conta toda a trajetória de Royal Raymond Rife, a conspiração que tentou de todas as formas destruir sua pesquisa e até mesmo sua própria vida.

Geroges Lakhovsky ele próprio escreveu um livro chamado ” The Secret of Life , 1920 ” de extrema importância pra um entendimento de como o processo funciona relatando em detalhes a facilidade do tratamento de doenças diversas atravéz do método de alta frequencia direcionada.

Graças as descobertas de Royal Rife e de Geroges Lakhovsky, hoje em dia muitos pesquisadores continuam as pesquisas com ondas de alta-frequência na cura do câncer e da AIDS,  embora continuem desacreditados e mantidos as margens da poderosa indústria farmacêutica.

Essa matéria é sobre uma das maiores descobertas da humanidade e que curiosamente foi mantida em segredo a  todo custo pelo governo americano durante vários anos colocando um de seus principais defensores atrás das grades durante anos por simplesmente tentar divulgar essas informações vizando apenas o bem-estar da humanidade, conheçam a história do Dr.Wilhelm Reich e sua maravilhosa Caixa de Energia Orgônica.

image

O Orgone e Wilhelm Reich

“Aviso – A utilização indevida do Acumulador de Orgone pode levar a sintomas de overdose. Por favor, saia da proximidade do acumulador e chame o seu médico imediatamente!”

Estas seriam as palavras do genial Dr. Wilhelm Reich, pai da energia orgone (também conhecido como chi ou energia vital) e ciência da orgonomia. Wilhelm Reich desenvolveu um dispositivo de metal revestido e o chamou de Acumulador de Orgone, acreditando que a caixa represava energia orgônica que ele poderia aproveitar em abordagens inovadoras para a psiquiatria, medicina, ciências sociais, biologia e pesquisas meteorológicas.

A História Oficial A Energia do Orgone

A descoberta do Orgone por Wilhelm Reich  teve início com sua pesquisa baseada na bio-energia física para as teorias de Sigmund Freud de neurose em seres humanos. Wilhelm Reich acreditava que experiências traumáticas bloqueavam o fluxo natural da energia vital no corpo, levando à doença física e mental. Wilhelm Reich concluiu que a energia libidinal que Freud teorizava é a energia primordial da própria vida, ligada a mais do que apenas a sexualidade. O Orgone estava em toda parte e Reich mensurava esta energia em movimento sobre a superfície da terra. Ele ainda determinou que o seu movimento influencia na formação do tempo.

O Acumulador de Orgone

Em 1940, Wilhelm Reich construiu o primeiro dispositivo para acumular energia orgone: uma caixa de seis lados construídos com camadas alternadas de materiais orgânicos (para atrair a energia) e materiais metálicos (a irradiar a energia para o centro da caixa). Os pacientes sentavam-se dentro do acumulador e absorviam a energia orgone através de sua pele e nos pulmões. O acumulador teve um efeito saudável no sangue e tecido do corpo, melhorando o fluxo de energia vital e pela liberação de blocos de energia.

image

Problemas com a FDA ( Food and Drug Administration )

Em 1954, o FDA emitiu uma ordem de injunção (ordem expressa) contra Reich, alegando que ele tinha violado a Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos, entregando  dispositivos adulterados no comércio interestadual e fazendo declarações falsas e enganosas. A FDA chamou os acumuladores uma farsa e energia orgone inexistente.

image

Um juiz emitiu uma liminar que ordenou que todos os acumuladores alugados ou de propriedade de Reich e os que ele trabalhava fossem  destruídos e toda a rotulagem referentes à energia orgone destruídas. Reich não compareceu pessoalmente no processo judicial, defendendo-se por carta . Dois anos depois, Wilhelm Reich foi preso por desacato à autoridade da liminar,  com base nas ações de um associado que não obedecera a ordem e ainda possuía um acumulador.  Em 03 de novembro de 1957, Wilhelm Reich morreu na sua cela de uma insuficiência cardíaca.

Em sua última vontade e testamento, ordenou que suas obras ficassem seladas durante cinquenta anos, na esperança de que o mundo seria um dia um lugar melhor para aceitar as suas máquinas maravilhosas.   “Orgone” é o nome que o Dr. Reich deu ao que costumamos chamar de Chi, a força vital. Ele descobriu que a energia orgone é atraída para materiais orgânicos, como algodão, lã, couro, seda, água e os tecidos dos organismos vivos.

Em contato com o metal, ela é imediatamente descarregada. Ocorreu-lhe que, se  metal e algodão fossem mergulhadas em uma seqüência alternada, o campo magnético da atmosfera (orgone), que está sempre presente e já interage com o sistema de meridianos, tornaria-se cada vez mais concentrado. Ele estava certo. Isso realmente acontece, e é um campo de energia natural muito agradável para o corpo a receber.

image

Estudos científicos mostram que a travesseiros com energia orgone são milagrosos para queimaduras e lesões de todos os tipos. Eles podem apressar a cicatrização de ossos quebrados, bem como encurtar o tempo de cura da gripe das infecções virais e bacterianas, e muitas outras coisas. O tempo de exposição varia de acordo com as necessidades da pessoa.Reich nunca chamou esta energia de Senhor (The Lord), mas ele percebeu que essa energia libidinal estava em toda parte e foi atraída para os seres vivos, especialmente metais e cristais. O programa foi aproveitá-la e recolhê-la.

Reich afirmou que a vida se baseou em fenômeno bioenergético, e caracterizada pela pulsação da bioenergia, como acontece com batimentos cardíacos, respiração, e as funções da bexiga. As emoções e sexualidade, ele argumentou, também seguiram uma pulsação básica similar a da bioenergética, uma ótima saúde exigiu expressão emocional aberta e de liberação sexual periódica de bio-energia acumulada. (Muitos acreditam que este é o orgasmo e não é.)

Ele mediu assinaturas bioelétricas das experiências subjetivas afetivas-sexuais humanas utilizando medidores millivolt super sensíveis, interpretando-as como expressões de uma determinada energia de vida “bio-elétrica”. Mais tarde, ele observou e desenvolveu medidas objetivas para identificar campos energéticos em torno dos seres humanos e outras formas de vida, incluindo os micróbios, e alegou que a mesma bioenergia carregava a matéria sem vida e ela existe na forma livre na atmosfera.

image

Ele argumentou que o “orgone” tinha uma semelhança com o antigo conceito de éter cosmológico do espaço. O acumulador de orgônio foi desenvolvido como uma forma objetiva de captar esta energia da atmosfera e, posteriormente, alegou ter dois efeitos anômalos biológicos e físicos.

Reich também projetou um dispositivo chamado de “cloudbuster”, que poderia dispersar as nuvens e produzir chuva.
Usando poucas palavras para descrevê-lo, podemos usar estas: O que surpreendeu o Dr. Reich foi o fato de que, por mais de dois mil anos, a presença desta energia orgone foi negligenciada ou censurada sempre que um estudioso tentava descrever o que via.

O Dr. Reich descobriu que o orgone é nada menos do que a energia responsável pela pulsação biológica da vida na Terra (e possivelmente do universo).

Perguntas simples, respostas não tão fáceis…

* Se o orgone não existisse, por que o governo federal americano se comportaria tão militantemente em suas tentativas de remover qualquer menção ao nome Orgone do mundo editorial, da imprensa e das mentes das pessoas?

* Por que o governo federal deu uma sentença de morte a um homem de idade respeitadíssimo se ele insistisse em continuar seus estudos de algo que segundo eles não existia mesmo?

* O governo federal usou sua autoridade para proibir muitas tecnologias viáveis e úteis. Devemos aceitar a posição do FDA que a energia orgônica não existe mesmo?

* Ou é do nosso interesse ter um outro olhar para o trabalho do Dr. Reich e sua polêmica teoria da energia da vida?

* Mais importante ainda, pode a energia orgone ser usada para ajudar a neutralizar as energias negativas que tanto permeiam o nosso mundo moderno?

FONTE : www.advivo.com.br

Três décadas de um segredo de Estado – JOSÉ LUÍS COSTA

Escolhida em 1980 para acolher um projeto confidencial que pretendia revolucionar a produção mundial de combustíveis, uma oficina da Brigada Militar em Porto Alegre ainda guarda partes do sigilo. Trinta anos depois, um lacre impede que os próprios policiais tenham acesso à área.Construído em meados da década de 1960, um galpão, com 150 metros quadrados e oito metros de altura, no quartel da Escola de Bombeiros, no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, guarda um segredo que agitou o país no século passado. Telhado de amianto despencando, janelas com vidros quebrados e paredes com a tinta descascada, rodeadas de mato e carcaças de viaturas, o local é fonte de proliferação de ratos e insetos. Um lacre soldado à porta enferrujada impede o acesso há três décadas e reforça os contornos do mistério.

A “descoberta do prédio secreto” aconteceu há quatro meses ( matéria de 10/2011 ), quando a Brigada Militar começou reformas no quartel para abrigar a sede do comando dos bombeiros. Mas o segredo é tamanho que nem a BM teve acesso. Pleiteia na Justiça autorização para entrar no prédio da corporação. Fechado por ordem do Palácio Piratini em nome da “segurança nacional”, o pavilhão era a oficina II do Centro de Suprimentos de Motomecanização da BM, onde eram pintados os carros dos bombeiros.

Por quase dois anos, o local serviu como laboratório para uma experiência sigilosa do governo sob os olhares vigilantes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI): a invenção de um reator alimentado por água e álcool (em proporções iguais) que fazia mover carros, caminhões, ônibus, tratores e motores em geral, desenvolvida pelo engenheiro mecânico francês Jean Pierre Marie Chambrin.Lacrada desde dezembro de 1982, a oficina foi cenário de um enredo recheado de mistérios e cuja pretensão era mudar os rumos da indústria petrolífera mundial e consagrar o uso de etanol.

A experiência que revolucionaria o mercado de combustíveis e valeria, hoje, R$ 19,4 milhões, conforme calculava Chambrin, não prosperou. Permeada por interesses nem sempre claros, encobertos por suspeitas de sabotagem, boicote, furto e desconfiança, virou uma batalha nos tribunais que só teve derrotados.Levando em conta valores pagos para patentear a invenção de Chambrin, o Estado perdeu R$ 523 mil e foi condenado a pagar R$ 3,6 mil em honorários advocatícios.

Teve gastos com mão de obra dos mecânicos auxiliares de Chambrin, materiais de trabalho, com o sucateamento de três caminhões e de um carro e a impossibilidade de usar a oficina.Capítulos desta história estão no Arquivo do Tribunal de Justiça e no livro Dossiê Chambrin – A Saga do Motor Água e Álcool, do empresário alagoano Jarbas Oiticica. Ao ter acesso aos documentos, ZH revela parte dos mistérios do Projeto Chambrin. Outros, jamais serão conhecidos.– É uma questão complexa, de macroeconomia, no campo científico e tecnológico, envolvendo interesse nacional. Por causa disso, tenho limites para falar – esquiva-se o arquiteto gaúcho Waldir José Maggi, 79 anos, sócio de Chambrin.O engenheiro francês manteve seus segredos em sigilo e os levou para o túmulo, há 22 anos.

A história do carro movido a água

Aos 51 anos, em maio de 1976, o engenheiro francês Jean Pierre Marie Chambrin fechou sua oficina de assistência técnica para a montadora Citröen, em Rouen, na Normandia, para desenvolver sua invenção em Alagoas. No ano anterior, tinha criado o Reator Chambrin, um mecanismo automotivo que aproveitava gases quentes do escapamento para aquecer o combustível, álcool e água, isolar o hidrogênio e aproveitá-lo como fonte de energia para motores.

Na França, Chambrin gozava de elevado conceito no meio científico com prêmios e a distinção de “engenheiro expert em mecânica”. Chambrin chegou ao Brasil pelas mãos do empresário Jarbas Oiticica, diretor da Estação Experimental de cana de açúcar de Maceió, que planejava aproveitar os conhecimentos do francês para impulsionar o álcool alagoano no mercado brasileiro. A bordo de um Corcel, o invento de Chambrin foi testado com sucesso no Parque de Motomecanização do Exército, em Recife (PE), viajou para o centro do país e Brasília, despertando atenção até do general Ernesto Geisel, então presidente da República (1974 a 1979), que já tinha dirigido a Petrobras.

Em abril de 1977, a Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU) se interessou pelo reator para equipar a frota de ônibus nas grandes cidades, e um contrato de prestação de serviços por quatro meses foi assinado. Chambrin recebeu R$ 13 mil de salário, diária de R$ 473 (valores corrigidos) e um carro para uso pessoal.

A EBTU avaliaria o desempenho de um ônibus-protótipo, mas nunca mandou um ônibus para Maceió. Chambrin adaptou o reator em um caminhão emprestado por Oiticica. Em maio de 1978, dois técnicos da EBTU rodaram com o veículo, mas o teste não foi conclusivo. Alegaram desconhecer o funcionamento completo do reator, e Chambrin se negava a revelar o segredo.

 

A escolha pelo Sul

Desiludido com a EBTU e com o fim do contrato, Chambrin deixou-se levar pelo coração. Em 15 de outubro de 1978, desembarcou em Porto Alegre. Atravessou o Brasil para reencontrar a socióloga Maria Elena Knüppeln de Almeida, 16 anos mais jovem, viúva, servidora da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Os dois se conheceram no hotel onde Chambrin morava, em Maceió. Passaram a morar juntos na casa dela no bairro Cristal, na esperança de que a EBTU comprasse o invento por R$ 19,4 milhões (valores corrigidos), o que nunca aconteceu.

Em 1979, o governo gaúcho conheceu Chambrin por meio de reportagens e vislumbrou uma parceria com o francês. Maria Elena intermediou encontro de Chambrin com o secretário de Administração, Olímpio Tabajara.

Considerada uma questão estratégica e de segurança nacional, em plena ditadura militar, a proposta foi encampada pelo Palácio Piratini e levada ao conhecimento de Brasília, recebendo o sinal verde do governo do general João Batista Figueiredo (1979 a 1985).

A partir de então, o Piratini ordenou que a Casa Militar e o Comando-geral da BM acomodassem, sem alarde, o francês em uma unidade da corporação para ele desenvolver suas experiências. Chambrin foi trabalhar no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Capital.

Apoiado por uma equipe de mecânicos da BM, em 14 de julho de 1980, Chambrin começou as adaptações em motores de dois veículos: a viatura 80, um caminhão Mercedes-Benz 1113, ano 1969, e a viatura 827, um Corcel, preto, ano 1974, placas AS-7825.

O sócio, Golbery e o SNI

Os contatos entre Chambrin e o Piratini eram intermediados pelo arquiteto Waldir José Maggi, secretário de Obras Públicas do governo Ildo Meneghetti (1963 a 1966). Maggi foi convidado pelo governo para ser coordenador do projeto e virou sócio do francês. Juntos, em 1981, criaram as empresas Agal Reatores e Changer Tecnologia e Patentes. Acreditavam que o projeto prosperaria se estivesse em sintonia com a iniciativa privada.

Maggi mantinha tratativas com o ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República, general Golbery do Couto e Silva e com o chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general Octávio Medeiros.

Em carta enviada a Brasília, Maggi lembrava que Golbery tinha classificado o projeto Chambrin como de “alta reserva” – significando que estaria enquadrado em experiência científica de valor excepcional, previsto no Decreto Federal 60.417/67, que tratava da salvaguarda de assuntos sigilosos. Foi costurado um acordo confidencial sustentado pelas empresas Agal e Changer e pelos governos estadual e federal.

O Palácio do Planalto determinou a formação de um grupo técnico com gente de peso para supervisionar os trabalhos. Faziam parte da equipe o coronel Lício de Freitas Pereiras, do SNI, um dos maiores especialistas em questões energéticas do país naquela época e integrante do Conselho de Segurança Nacional, e o engenheiro aeronauta Edmar Fleury Pereira Filho, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também acompanhava, quase em paralelo, a fabricação do avião AMX, pela Embraer, em São José dos Campos (SP).

Corcel fazia 9,4 km com água

Chambrin fez funcionar com sucesso o Corcel e o caminhão da BM, recebendo R$ 29,9 mil em 1981 das mãos de Maggi. Em viagens para Caxias do Sul e Osório, o carro consumiu um litro (50% água, 50% álcool), em média, a cada 9,4 quilômetros. O caminhão fez 4,5 quilômetros por litro.

Chambrin ganhou um trator para novas experiências. A Casa Militar, em documento reservado, que deveria ser eliminado após a leitura, pediu emprestado à CEEE um caminhão e um gerador Stemac. Requisitou à Corsan um Mercedes-Benz 1113 e uma Belina II.

Em 1982, Chambrin recebeu de Maggi mais R$ 104,8 mil. Foram encaminhados pedidos de patentes – do reator e de componentes – ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). “Atendendo a interesses superiores”, seriam aumentados os pedidos de registros internacionais: de 29 para 40 países. Cartas trocadas entre Maggi e o Piratini apontam que o Estado gastou R$ 523,3 mil com os pedidos de patentes e precisaria de mais R$ 785 mil para despesas. Mas o grosso do dinheiro para os registros internacionais não teria sido liberado pelo Piratini. Eis, aí, um dos mistérios do caso. Era o primeiro sinal de que o projeto saía dos trilhos. Chambrin já se queixava da falta de combustíveis e se enfureceu com a inspeção federal feita pelo engenheiro Fleury, assessor técnico da diretoria do CNPq.

Fleury fez exigências técnicas para novos testes e apontou falhas a serem corrigidas. Surgiram dúvidas sobre a credibilidade do invento, colocando Chambrin em pé de guerra com demais parceiros do projeto.

Em cartas a Maggi, o francês disse que fora desmoralizado e chamou Fleury de “bitolado”. Insinuou que tinha gente com medo da verdade e que sentia cheiro de sabotagem. Alegou que desregularam motores e rodaram com um dos carros sem sua autorização.

Em nome da segurança nacional

O francês revogou procurações que autorizavam Maggi a encaminhar os registros de patente do invento no Exterior e rompeu a sociedade. Chambrin suspeitava ser vítima de uma manobra que visava boicotar seu invento.

Maggi, o SNI e o Piratini desconfiavam que Chambrin se aproveitaria do momento para negociar o invento com terceiros. Um homem, se dizendo representante de uma montadora, teria procurado Chambrin e visitado a oficina.

A situação era grave, e a decisão do Piratini, em nome da segurança nacional, foi de lacrar a oficina e evitar que Chambrin pudesse “causar prejuízos incalculáveis ao país”. Em 8 de dezembro de 1982, Chambrin foi barrado na entrada da oficina por um soldado armado.

Dois meses depois, Fleury retornou a Porto Alegre para duas reuniões com Chambrin. Propôs levar os motores para análise em São Paulo, com a condição de que Chambrin não interferisse nos testes e que tudo fosse feito longe da imprensa. Chambrin respondeu com uma carta de oito páginas ao CNPq, temendo pela eficácia dos testes. Estava proibido de entrar na oficina havia três meses e via a necessidade de ajustes nos motores.

Um visto para o francês

Os primeiros testes com a mistura no motor, 50% álcool e 50% água, empolgaram. Em julho de 1980, o secretário Tabajara publicou no Diário Oficial o boletim 7.894/80, nomeando técnicos para acompanhar a experiência.

Em 17 de setembro daquele ano, o presidente da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), João Carlos Barros Krieger, assinou protocolo de intenções com Chambrin,de olho na possível exploração comercial do invento.

A FDRH se comprometia em subsidiar Chambrin em suas necessidades pessoais. O francês só precisava ter visto permanente no Brasil. E, para isso, pediram ajuda ao governador Amaral de Souza (1979 a 1983), que encaminhou dois ofícios ao ministro da Justiça, Ibrahim Abi- Ackel.

Em um deles, Amaral escreveu ter especial interesse pela “imperiosa necessidade de assegurar o prosseguimento da experiêcia, ora em fase decisiva”.

O visto permanente foi concedido em 8 de abril de 1981, depois da terceira solicitaçã do governador, dessa vez ao ministro das Relaçõs Exteriores, Ramiro Saraiva Guerreiro.

A corrida tecnológica – GILBERTO LEAL

As crises do petróleo nos anos 70 mostraram a fragilidade da dependência do combustível fóssil e desencadearam a busca de fontes alternativas. Ansiedade que levou a pesquisas arrojadas como a de motores movidos a água, feita por Chambrin, e a ar comprimido. Na virada do século, as preocupações foram reforçadas pelos riscos do efeito estufa e da preservação ambiental. O setor automotivo investe pesado na produção de veículos econômicos e limpos como nos motores bicombustível, a gás, a eletricidade e a hidrogênio. A resposta brasileira ao custo do petróleo veio com Proálcool, em 1975. Com o apoio do governo militar, o programa avançou, e o etanol foi adicionado à gasolina. A crise recrudesceu, e os carros a álcool chegaram em 1978. Preço menor, conquistaram o consumidor e, em 1985, representavam 95% da produção nacional. Com a valorização do açúcar no mercado internacional, para não faltar, o governo importou álcool. Foi o fim do Proálcool e do carro a álcool.

Em 2002, foi a vez dos motores flexíveis – que funcionam com gasolina e/ou etanol. Quase 90% dos veículos produzidos no país são flex. Seguem as pesquisas com carros híbridos, movidos por propulsores elétricos e combustão, mas o preço dificulta a venda. A situação brasileira é confortável: o etanol polui menos do que a gasolina, é renovável e a cultura da cana-de-açúcar e as usinas atuais são modernas e eficientes com alta produtividade. A queda dos estoques na entressafra e as oscilações no mercado internacional, no entanto, comprometem o produto.

“A Opep pagaria para ficar no papel”. Milton Weyrich, comandante da Brigada Militar à época – GILBERTO LEAL

O misterioso sumiço de peças

O CNPq não respondeu a Chambrin, e ele entrou com ação judicial contra o Estado para reaver os equipamentos lacrados. Chambrin brigava com Maggi em outro processo sobre a divisão patrimonial das empresas. Em 1983, Chambrin voltou para Maceió, tentando instalar seu invento em ônibus. Mas a frota com motores de diversas marcas e a falta de matéria-prima inviabilizaram o trabalho. Em 1985, retornou a Porto Alegre.

PMs permaneciam 24 horas na porta da oficina, e o comando pedia, em vão, o espaço à Justiça. Em 1984, o CNPq enviou ofício ao governador Jair Soares (1983 a 1987), requisitando os veículos. O documento explicava que, “seguindo recomendação do SNI, o CNPq assumiria a pesquisa”.

Procurado por ZH há duas semanas, o ex-governador Jair Soares afirmou não se lembrar do tal documento do CNPq. Oficialmente, os veículos nunca foram entregues ao CNPq. E parte das peças do Reator Chambrin sumiram da oficina. Nessa época, já não ficavam mais sentinelas na porta. Em abril de 1988, quando a Justiça mandou abrir o local para decidir sobre a devolução das peças, descobriu-se veículos depenados. A oficina seguiu lacrada, e o sumiço das peças foi investigado. Cinco praças foram indiciados pelo sumiço de 12 pneus, mas o caso foi arquivado por falta de provas.

Sequestro e morte do francês

Enquanto isso, Chambrin vivia quase recluso na casa da amada. Nos quartéis da BM, o comentário entre os poucos PMs que sabiam do projeto era de que o francês tinha sido sequestrado, assassinado e o corpo jamais encontrado. Na França, diziam que Chambrin morrera em acidente de carro. Chambrin morreu em casa, fulminado por um infarto, aos 64 anos, em 4 de novembro de 1989. Maria Elena se tornara herdeira. As especulações sobre o destino do Reator Chambrin corriam o mundo. Do interior gaúcho ao Kansas (EUA), surgiam boatos de que o invento tinha sido pirateado e estaria rodando pelas ruas.

Em 1992, sob risco de desabamento do telhado da oficina, a Justiça mandou transferir os equipamentos. O Estado não encontrou outro lugar. A batalha judicial seguiu com novo round em 1993, quando a Justiça determinou a devolução dos pertences a seus donos – Maggi e Maria Elena receberiam os equipamentos. Mas a ordem não foi cumprida na íntegra. Em 1996, dias antes da morte de Maria Elena, por problemas respiratórios, a Justiça pediu avaliação do Reator Chambrin para quantificar o valor que caberia a Maggi e a Maria Elena. A Cientec não teve condições de atender ao pedido, tampouco outros órgãos federais. Em 2000, Maggi tornou-se dono das empresas Agal e Changer, ao adquirir as cotas do filho único de Maria Elena, e até hoje paga os tributos. Evita falar no assunto, mas demonstra acreditar que poderá fabricar e vender o Reator Chambrin e seus componentes, do qual é detentor das patentes concedidas pelo INPI em 1990. Há 27 anos, Maggi segue à espera do laudo do CNPq sobre o funcionamento do reator. A cada novo governador no Piratini, renova o pedido de informações, sem respostas.

O segredo do reator foi enterrado com Chambrin no túmulo 625313 do Cemitério João XXIII, na Capital. Maria Elena, morta em 1996, ocupa o mesmo jazigo. Enquanto isso, restos de um trator, de um caminhão e do Corcel além de outros equipamentos, seguem até hoje apodrecendo na oficina da BM, cujo prédio permanece lacrado, passados 29 anos.

Fonte : http://celiosiqueira.blogspot.jp/2011/10/projeto-chambrin-historia-secreta-do.html