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Sol Negro

Muitos de nós não tem a consciência do que realmente é o nosso planeta, o que a ciência nos ensina nas escolas e o que a astronomia explica nos dias atuais não é a mesma que as antigas civilizações praticavam, essas embora mais antigas, estão muito longe de serem “ultrapassadas e arcaicas”.

Por exemplo, vemos uma estrela como Alfa Centauro, que está a 2 anos-luz de distância, e que ela orbita isso e aqui, e que tem uma atmosfera disso e daquilo, o que nós não pensamos é sobre os organismos que habitam essa estrela e a energia que eles emitem, a grande verdade é que todos os planetas possuem vida, a superfície de um planeta não é o melhor lugar para se viver quando se atinge um certo nível de conhecimento.

Nosso planeta está viajando pelo espaço, como um navio em um oceano, ondas vem e vão continuamente, um oceano de energias inimagináveis e incrivelmente poderosas, só precisamos olhar para o passado para entender nosso futuro, eu lhe pergunto, quantas pirâmides existem no fundo dos oceanos? Milhares! Qual tipo de geometria e matemática foi usada na construção da Grande Pirâmide de Gizá? Quais constelações se alinham com ela?

Isso tudo está relacionado com ENERGIA!

Vejamos de uma forma mais fácil de ser entendida, quando você entra em uma sala cheia de pessoas, olhando para essas pessoas você “saberá” que tipo de energias essas pessoas terão, é o conhecido “não fui com a sua cara”, ou então uma antiga namorada, o que lhe atraiu nela ao primeiro momento? A energia dessas pessoas, de sua namorada, interagiu com a sua própria energia de forma negativa ou positiva, quando você evolui, expande sua consciência, sua energia se expande igualmente.

Você é um ser feito de ENERGIA, quando as glândulas de nosso corpo são estimuladas, nossa energia responderá a esses estímulos.

Nossas glândulas e consequentemente, nossa energia, está ligada diretamente a certos corpos astrofísicos e cósmicos, certos pontos no espaço vem ao longo de um espectro cíclico que se repete continuamente, como um relógio que nunca para.

Esse não é um conhecimento “nova era”, é um conhecimento que existe a milhares de anos e que quando tenta vir á tona, é logo transformado em desinformação e toma contornos “esotéricos e místicos” totalmente desnecessários e dogmáticos.

Esse é um conhecimento de extrema importância, conhecer esses pontos do universo, porque existem “forças” que usam essas energias contra a humanidade, contra o desenvolvimento humano, e isso é apenas conhecido por uma pequena parcela dos seres humanos desse lado do planeta.

Se mais pessoas tivessem esse conhecimento, a matriz da Terra poderia ser alimentada e fortalecida e consequentemente, todos os seres vivos do planeta, novas habilidades seriam desenvolvidas e uma nova expansão da consciência provocaria mudanças positivas em todo o planeta.

Existe um interesse para esse conhecimento continue encoberto e não divulgado, “lavagem cerebral” e “mensagens subliminares” são usadas como táticas eficientes, pois os interesses atrás desse acobertamento conhece muito bem o poder da mente, como ela funciona, e eles a usam e a manipulam habilidosamente contra você.

Quando você cameça a ver o quadro total, quando as peças do quebra-cabeças começa a tomar contornos e ficar mais claro, você se torna um alvo, você deve usar esse conhecimento adquirido para se proteger, você entrará no que eu costumo chamar de “O Caminho do Guerreiro”, e você estará no meio de uma guerra de um nível muito diferente do que conhecemos.

Essa é uma guerra que está sendo travada a milhões de anos.

A supressão não serve a verdade, a escuridão não serve a luz, o medo não serve a coragem.

Guerras futuras continuarão na sua MENTE, CORPO e ESPIRÍTO.

Sua soberania é a LIBERDADE, LIBERTE SUA MENTE!

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Frutas são "símbolos"? No mundo moderno, apesar de toda tecnologia ao nosso dispor, a ciência convencional, ainda não consegue explicar certos “fenômenos” com relação ao corpo humano, certas doenças que o atingem e suas relativas curas.

Estaria a ciência procurando por essas respostas nos locais errados?

Ou provavelmente a ciência já tem essas respostas e se recusa a aceitá-las  por serem obvias demais?

Pior ainda, eles tem pleno conhecimento dessas respostas, as aceitam perfeitamente, mas não querem as compartilhar por algum motivo “misterioso”, será?

Conhecendo um pouco da natureza humana, eu fico com essa última hipótese…porém, como não acredito em “mistérios” vamos investigar isso mais a fundo, nada melhor que olhar nosso “passado” para obter algumas dicas valiosas para nosso aprendizado, afinal, como já sabemos, o “conhecimento antigo” sempre nos traz coisas novas.

“Era uma vez…”

Paracelso

Paracelso

Quando o Brasil ainda mal tinha sido “descoberto”, existiu um grande Cientista, ou melhor, um Alquimista, ou melhor, um Filósofo e Médico, chamado Paracelso, ele tinha o estranho hábito de “receitar” legumes, frutas e até mesmo flores para seus pacientes, como forma de curar os males do corpo e doenças diversas, ele acreditava que a cura para determinada doença estaria em seu correspondente comparativo na natureza, o que se confirmou ser verdadeiro, o que a própria ciência convencional conhece, porém, não aplica.

Paracelso é então, considerado como o pai da “Doutrina de Assinaturas”, onde ele entendeu que o corpo humano é formado por “símbolos” e que esses mesmos símbolos estão por toda a natureza, um grande exemplo disso é a incrível semelhança entre a noz Juglans regia, e sua inacreditável semelhança com um cérebro humano, ela possui, assim como um cérebro, dois hemisférios, um neocórtex, cerebelo inferiores e superiores, e mais inacreditável ainda, a ciência convencional já sabe (ou sempre soube…) que ela auxilia grandemente no desenvolvimento das funções cerebrais humanas. Vale lembrar que Paracelso é considerado também o “pai” da química moderna.

As semelhanças entre os símbolos do corpo humano e outros corpos orgânicos da natureza não param por ai, existe uma infinidade de grãos, legumes, frutas e vegetais que tem a mesma semelhança com todos os órgãos humanos, externos e internos.

Corte uma cenoura em rodelas e você verá exatamente a mesma estrutura de um olho humano visto de frente, alguém provavelmente já lhe disse que cenoura”faz bem para os olhos”, não é mesmo?, ou como um gengibre se parece exatamente como uma visão isolada de um estômago.

Essas e outras “coincidências” estão em todos os aspectos da natureza e sua ligação com o ser humano, podemos ver facilmente como viver não é tão complicado assim, nós é que complicamos, ou pior do que isso, deixamos que “outros” compliquem as coisas para nós, existe bem a nossa frente um “código universal” que longe de ser “divino” ou mágico, é extremamente lógico e racional, a simples observação do Macrocosmo e do Microcosmo nos dará todos os meios de vivermos da forma que feitos para viver, verdadeiramente livres e apenas obedientes a algumas regras bem simples e de fácil entendimento, as regras do universo, que de tão simples e obvias, não observamos com a devida atenção.

Noz

A indústria farmacêutica sabe muito bem disso, a ciência convencional também, e o mais importante, as antigas civilizações também o sabiam, então porque esse conhecimento não é divulgado? quem está por trás disso? qual o interesse em se criar compostos sintéticos para nossos corpos senão o lucro ganancioso e o objetivo sórdido de acobertar “Segredos Antigos” que certamente nos levaria a questionamentos mais profundos e impertinentes?

Talvez o dinheiro e o poder material não sejam as únicas respostas para tais perguntas, a “Toca do Coelho” como sempre, continua cada vez mais profunda…

Mais uma matéria do rizoma.net abordando as ” religiões corporativas ” e seu controle sobre as ” ovelhas “,  boa leitura.

AS OITO CARACTERÍSTICAS DOS CULTOS QUE ATUAM NO CONTROLE
MENTAL.  
Por Randall Watters

Nos últimos 20 anos, “Lavagem Cerebral” tornou-se uma palavra muito
conhecida. Em 1961 Robert J. Lifton, depois de ter estudado os efeitos do
controle mental nos presos de guerra americanos capturados pelos
comunistas chineses, publicou o livro fundamental sobre esta teorias :
Thought Reform and the Psychology of Totalism’ [Reforma do
Pensamento e a Psicologia do Totalitarismo].
 
No capítulo 22 desse seu livro, Lifton descreve os oitos instrumentos de
controle mental usados pelos cultos políticos, religiosos ou psíquicos:
 
1) Milieu Control [Controle Ambiental]

‘Milieu’ é uma palavra francesa que significa “ambiente ao redor”. As
seitas e os cultos conseguem controlar o ambiente em que vivem seus
adeptos de diversas maneiras, mas quase sempre usam uma forma de
isolamento. Os adeptos são isolados fisicamente da sociedade, ou são
ameaçados de castigos se entrarem em contato com as informações das
mídias, sobretudo quando estas informações podem criar pensamentos
críticos. Qualquer livro, filme ou testemunha de ex-membros, assim como
qualquer informação que seja crítica contra o grupo, deve ser evitada.
 
A seita fornece atentamente as informações aos membros. Tudo vem
cuidadosamente avaliado por receio de que possa ser contrário, ou vá
além do pensamento da seita. Aos adeptos, o fato de que a organização
pareça ter um vasto conhecimento sobre tudo e todos garantem-lhes
uma capacidade de oniciência.  
 
2) Manipulação Mística
 
Nas seitas religiosa Deus está sempre presente. Se para um motivo
qualquer uma pessoa afasta-se, cada doença ou infortúnio que lhe
aconteça será atribuído como um castigo de Deus, e circulam histórias de
como Deus realmente esteja fazendo acontecer coisas maravilhosas aos
fiéis, pois eles são “a verdade”. A organização se reveste de uma certa
“misticidade” que, para os novatos, é realmente sedutora.  
 
3) Necessidade de Pureza
 
O mundo vem pintado em branco e preto, com pouco espaço para tomar
decisões pessoais baseadas na consciência individual. A conduta
individual vem modelada de acordo com a ideologia do grupo, como
ensinado na sua literatura. As pessoas e as organizações são divididas
entre boas ou malvadas, de acordo com o relacionamento delas com o
grupo.
 
Para controlar o adepto, todas as seitas usam o senso de culpa e de
vergonha, também depois que abandonaram o grupo. Tudo vem
polarizado e super exemplificado. Todas as coisas classificadas como
malvadas devem ser evitadas, e a pureza alcança-se com a absoluta
aceitação da ideologia da seita.
 
4) A Adoração da Confissão
 
As culpas graves (para a ideologia do grupo) devem ser confessadas logo.
Se a conduta dos membros é contraria às regras, deve-se fazer relato.
Com freqüência encontra-se a inclinação para ganhar prazer com a auto-degradação por meio da confissão. Isso acontece quando é um dever
confessar os próprios pecados frente aos outros regularmente, criando
um forte senso de identidade com o grupo. Isso permite aos líderes de
exercer também a autoridade diretamente sobre o interno do grupo nos
mais fracos, usando as “culpas” como chicote.  
 
5) As “Ciências Sagradas”
 
A ideologia da seita torna-se o ponto de vista moral definitivo que regula
a existência humana. A ideologia é “sagrada” demais para ser discutida, e
é um dever o respeito aos líderes. A ideologia da seita faz afirmações
exageradas acerca da perfeição de sua lógica, apresentando-a como uma
verdade absoluta e perfeita. Um sistema assim atraente oferece
segurança.
 
6) Linguagem Carregada/Redefinida
 
Lifton explica o abundante uso de “clichê bloqueia-pensamento”, ou seja:
frases ou palavras desenhadas para bloquear uma conversa ou uma
discussão. Um exemplo são as palavras “capitalista” e “imperialista”
usados pelos pacifistas nas décadas 60. Estes clichê são fácil pra lembrar e
para usar. São chamados “linguagem do não-pensamento”, porque
terminam a conversa sem outras considerações.
 
7) É mais importante a Doutrina do que a Pessoa
 
Uma pessoa é valorizada na medida que ela se conformar às regras da
seita. As percepções da lógica, se estão em desacordo com a ideologia,
são desprezadas. A história da seita é alterada para adaptá-la a lógica
doutrinária.
 
8) Dispensa da Existência
 
A seita estabelece quem “merece” existir e quem não tem este direito.
Estabelece quem deve morrer na luta final entre o bem e o mal. A família
inteira [do adepto] e quem não pertence ao grupo pode ser enganado
pois não merece existir!

Tradução: A. Maria De Florim e M Martinelli ( martinelli@usa.com).

Esse texto foi publicado entre 2002 e 2009 no extinto site rizoma.net que foi um importante espaço divulgador de debates e temas abordando várias aréas, pensamento livre e várias teorias.

Estarei publicando periódicamente matérias e ensaios desse grande site aqui no Chaos D.C , aproveitem e  boa leitura.

AS CINCO DIFICULDADES PARA ESCREVER A VERDADE
Bertold Brecht
 
Hoje, o escritor que deseje combater a mentira e a ignorância tem de
lutar, pelo menos, contra cinco dificuldades. É-lhe necessária a coragem
de dizer a verdade, numa altura em que por toda a parte se empenham
em sufocá-la; a inteligência de a reconhecer, quando por toda a parte a
ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento
suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz;
finalmente, precisa ter habilidade para difundi-la entre eles. Estas
dificuldades são grandes para os que escrevem sob o jugo do fascismo;
aqueles que fugiram ou foram expulsos também sentem o peso delas; e
até os que escrevem num regime de liberdades burguesas não estão livres
da sua ação.

1- A CORAGEM DE DIZER A VERDADE
 
É evidente que o escritor deve dizer a verdade, não a calar nem a abafar,
e nada escrever contra ela. É sua obrigação evitar rebaixar-se diante dos
poderosos, não enganar os fracos, naturalmente, assim como resistir à
tentação do lucro que advém de enganar os fracos. Desagradar aos que
tudo possuem equivale a renunciar seja o que for. Renunciar ao salário do
seu trabalho equivale por vezes a não poder trabalhar, e recusar ser
célebre entre os poderosos é muitas vezes recusar qualquer espécie de
celebridade. Para isso precisa-se de coragem. As épocas de extrema
opressão costumam ser também aquelas em que os grandes e nobres
temas estão na ordem do dia. Em tais épocas, quando o espírito de
sacrifício é exaltado ruidosamente, precisa o escritor de muita coragem
para tratar de temas tão mesquinhos e tão baixos como a alimentação
dos trabalhadores e o seu alojamento.  
 
Quando os camponeses são cobertos de honrarias e apontados como
exemplo, é corajoso o escritor que fala da maquinaria agrícola e dos
pastos baratos que aliviariam o tão exaltado trabalho dos campos.
Quando todos os alto-falantes espalham aos quatro ventos que o
ignorante vale mais do que o instruído, é preciso coragem para perguntar:
vale mais porquê? Quando se fala de raças nobres e de raças inferiores, é
corajoso o que pergunta se a fome, a ignorância e a guerra não produzem
odiosas deformidades. É igualmente necessária coragem para se dizer a
verdade a nosso próprio respeito, sobre os vencidos que somos. Muitos
perseguidos perdem a faculdade de reconhecer as suas culpas. A
perseguição parece-lhes uma monstruosa injustiça. Os perseguidores são
maus, dado que perseguem, e eles, os perseguidos, são perseguidos por
causa da sua virtude. Mas essa virtude foi esmagada, vencida, reduzida à
impotência. Bem fraca virtude ela era! Má, inconsistente e pouco segura
virtude, pois não é admissível aceitar a fraqueza da virtude como se aceita
a umidade da chuva. É necessária coragem para dizer que os bons não
foram vencidos por causa da sua virtude, mas antes por causa da sua
fraqueza. A verdade deve ser mostrada na sua luta com a mentira e nunca
apresentada como algo de sublime, de ambíguo e de geral; este estilo de
falar dela convém justamente à mentira. Quando se afirma que alguém
disse a verdade é porque houve outros, vários, muitos ou um só, que
disseram outra coisa, mentiras ou generalidades, mas aquele disse a
verdade, falou em algo de prático, concreto, impossível de negar, disse a
única coisa que era preciso dizer.  
 
Não se carece de muita coragem para deplorar em termos gerais a
corrupção do mundo e para falar num tom ameaçador, nos lugares onde
a coisa ainda é permitida, da desforra do Espírito. Muitos simulam a
bravura como se os canhões estivessem apontados sobre eles; a verdade
é que apenas servem de mira a binóculos de teatro. Os seus gritos atiram
algumas vagas e generalizadas reivindicações, à face dum mundo onde as
pessoas inofensivas são estimadas. Reclamam em termos gerais uma
justiça para a qual nada contribuem, apelam pela liberdade de receber a
sua parte dum espólio que sempre têm partilhado com eles. Para esses, a
verdade tem de soar bem. Se nela só há aridez, números e fatos, se para a
encontrar forem precisos estudos e muito esforço, então essa verdade
não é para eles, não possui a seus olhos nada de exaltante. Da verdade, só
lhes interessa o comportamento exterior que permite clamar por ela. A
sua grande desgraça é não possuírem a mínima noção dela.
 
2- A INTELIGÊNCIA DE RECONHECER A VERDADE
 
Como é difícil dizer a verdade, já que por toda a parte a sufocam, dizê-la
ou não parece à maioria uma simples questão de honestidade. Muitas
pessoas pensam que quem diz a verdade só precisa de coragem.
Esquecem a segunda dificuldade, a que consiste em descobri-la. Não se
pode dizer que seja fácil encontrar a verdade.  
 
Em primeiro lugar, já não é fácil descobrir qual verdade merece ser dita.
Hoje, por exemplo, as grandes nações civilizadas vão soçobrando uma
após outra na pior das barbáries diante dos olhos pasmados do universo.  
 Acresce ainda o fato de todos sabermos que a guerra interna, dispondo
dos meios mais horríveis, pode transformar-se dum momento para o
outro numa guerra exterior que só deixará um montão de escombros no
sitio onde outrora havia o nosso continente. Esta é uma verdade que não
admite dúvidas, mas é claro que existem outras verdades. Por exemplo:
não é falso que as cadeiras sirvam para a gente se sentar e que a chuva
caia de cima para baixo. Muitos poetas escrevem verdades deste gênero.
Assemelham-se a pintores que esboçassem naturezas mortas a bordo
dum navio em risco de naufragar. A primeira dificuldade de que falamos
não existe para eles, e contudo têm a consciência tranquila. “Desgalham”
o quadro num desprezo soberano pelos poderosos, mas também sem se
deixarem impressionar pelos gritos das vítimas. O absurdo do seu
comportamento engendra neles um “profundo” pessimismo que se vende
bem; os outros é que têm motivos para se sentirem pessimistas ao verem
o modo como esses mestres se vendem. Já nem sequer é fácil reconhecer
que as suas verdades dizem respeito ao destino das cadeiras e ao sentido
da chuva: essas verdades soam normalmente de outra maneira, como se
estivessem relacionadas com coisas essenciais, pois o trabalho do artista
consiste justamente em dar um ar de importância aos temas de que trata.  
 
Só olhando os quadros de muito perto é que podemos discernir a
simplicidade do que dizem: “Uma cadeira é uma cadeira” e “Ninguém
pode impedir a chuva de cair de cima para baixo”. As pessoas não
encontram ali a verdade que vale a pena ser dita.  
 
Alguns consagram-se verdadeiramente às tarefas mais urgentes, sem
medo dos poderosos ou da pobreza, e no entanto não conseguem
encontrar a verdade. Faltam-lhe conhecimentos. As velhas superstições
não os largam, assim como os preconceitos ilustres que o passado
frequentemente revestiu de uma forma bela. Acham o mundo complicado
em demasia, não conhecem os dados nem distinguem as relações. A
honestidade não basta; são precisos conhecimentos que se podem
adquirir e métodos que se podem aprender. Todos os que escrevem
sobre as complicações desta época e sobre as transformações que nela
ocorrem necessitam conhecer a dialética materialista, a economia e a
história. Estes conhecimentos podem adquirir-se nos livros e através da
aprendizagem prática, por mínima que seja a vontade necessária. Muitas
verdades podem ser encontradas com a ajuda de meios bastante mais
simples, através de fragmentos de verdades ou dos dados que conduzem
à sua descoberta. Quando se quer procurar, é conveniente ter-se um
método, mas também se pode encontrar sem método e até sem procura.
Contudo, através dos diversos modos como o acaso se exprime, não se
pode esperar a representação da verdade que permite aos homens saber
como devem agir. As pessoas que só se empenham em anotar os fatos
insignificantes são incapazes de tornar manejáveis as coisas deste mundo.
O objetivo da verdade é uno e indivisível. As pessoas que apenas são
capazes de dizer generalidades sobre a verdade não estão à altura dessa
obrigação.  
 
Se alguém está pronto a dizer a verdade e é capaz de a reconhecer, ainda
tem de vencer três dificuldades.  

3-A ARTE DE TORNAR A VERDADE MANEJÁVEL COMO UMA ARMA
 
O que torna imperiosa a necessidade de dizer a verdade são as
consequências que isso implica no que diz respeito à conduta prática.
Como exemplo de verdade inconsequente ou de que se poderão tirar
consequências falsas, tomemos o conceito largamente difundido,
segundo o qual em certos países reina um estado de coisas nefasto,
resultante da barbárie. Para esta concepção, o fascismo é uma vaga de
barbárie que alagou certos países com a violência de um fenômeno
natural.  
 
Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento,
uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os
domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista,
mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo,
continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação
fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase
histórica na qual o capitalismo entrou; por consequência, algo de novo e
ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do
capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o
fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua,
mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo.  
 
Como se poderá dizer a verdade sobre o fascismo que se recusa, se quem
diz essa verdade se abstêm de falar contra o capitalismo que engendra o
fascismo? Qual será o alcance prático dessa verdade?  
 
Aqueles que estão contra o fascismo sem estar contra o capitalismo, que
choramingam sobre a barbárie causada pela barbárie, assemelham-se a
pessoas que querem receber a sua fatia de assado de vitela, mas não
querem que se mate a vitela. Querem comer vitela, mas não querem ver
sangue. Para ficarem contentes, basta que o açougueiro lave as mãos
antes de servir a carne. Não são contra as relações de propriedade que
produzem a barbárie, mas são contra a barbárie.  
 
As recriminações contra as medidas bárbaras podem ter uma eficácia
episódica, enquanto os auditores acreditarem que semelhantes medidas
não são possíveis na sociedade onde vivem. Certos países gozam do raro
privilégio de manter relações de propriedade capitalistas por processos
aparentemente menos violentos. A democracia ainda lhes presta os
serviços que noutras partes do mundo só podem ser prestados mediante
o recurso à violência, quer dizer, aí a democracia chega para garantir a
propriedade privada dos meios de produção. O monopólio das fábricas,
das minas, dos latifúndios gera em toda a parte condições bárbaras;
digamos que em alguns sítios a democracia torna essas condições menos
visíveis. A barbárie torna-se visível logo que o monopólio já só pode
encontrar proteção na violência nua.  
 
Certas nações que conseguem preservar os monopólios bárbaros sem
renunciar às garantias formais do direito, nem a comodidades como a
arte, a filosofia, a literatura, acolhem carinhosamente os hóspedes cujos
discursos procuram desculpar o seu país natal de ter renunciado a
semelhantes confortos: tudo isso lhes será útil nas guerras vindouras. É
licito dizer-se que reconheceram a verdade, aqueles que reclamam a
torto e a direito uma luta sem quartel contra a Alemanha, apresentada
como verdadeira pátria do mal da nossa época, sucursal do inferno,
caverna do Anticristo? Desses, não será exagerado pensar que não
passam de impotentes e nefastos imbecis, já que a conclusão do seu blá-blá-blá aponta para a destruição desse pais inteiro e de todos os seus
habitantes (o gás asfixiante, quando mata, não escolhe os culpados).  
 
O homem frívolo, que não conhece a verdade, exprime-se através de
generalidades, em termos nobres e imprecisos. Encanta-o perorar sobre
“os” alemães ou lançar-se em grandes tiradas sobre “o” Mal, mas a
verdade é que nós, aqueles a quem o homem frívolo fala, ficamos
embaraçados, sem saber que fazer de semelhantes ditames. Afinal de
contas, o nosso homem decidiu deixar de ser alemão? E lá por ele ser
bom, o inferno vai desaparecer? São desta espécie as grandes frases
sobre a barbárie. Para os seus autores, a barbárie vem da barbárie e
desaparece graças à educação moral que vem da educação. Que miséria a
destas generalidades, que não visam qualquer aplicação pratica e, no
fundo, não se dirigem a ninguém.  
 
Não nos admiremos que se digam de esquerda, “mas” democratas, os que
só conseguem elevar-se a tão fracas e improfícuas verdades. A “esquerda
democrática” é outra destas generalidades-álibís onde correm a se abrigar
as pessoas inconsequentes, isto é, os incapazes de viver até as últimas
consequências as verdades que quer a esquerda, quer a democracia
contêm. Reclamar-se alguém da “esquerda democrática” significa, em
termos práticos, que pertence ao grupo dos ineptos para revolucionar ou
conservar as coisas, ao clã dos generalistas da verdade.  
 
Não é a mim, fugido da Alemanha com a roupa que tinha no corpo, que
me vão apresentar o fascismo como uma espécie de força motriz natural
impossível de dominar. A obscuridade dessas descrições esconde as
verdadeiras forças que produzem as catástrofes. Um pouco de luz, e logo
se vê que são homens a causa das catástrofes. Pois é, amigos: vivemos
num tempo em que o homem é o destino do homem.  
 
O fascismo não é uma calamidade natural, que se possa compreender a
partir da “natureza” humana. Mas mesmo confrontados com catástrofes
naturais, há um modo de descrevê-las digno do homem, um modo que
apela para as suas qualidades combativas.  
 
O cronista de grandes catástrofes como o fascismo e a guerra (que não
são catástrofes naturais) deve elaborar uma verdade praticável, mostrar
as calamidades que os que possuem os meios de produção infligem às
massas imensas dos que trabalham e não os possuem.  
 
Caso se pretenda dizer eficazmente a verdade sobre um mau estado de
coisas, é preciso dizê-la de maneira que permita reconhecer as suas
causas evitáveis. Uma vez reconhecidas as causas evitáveis, o mau estado
de coisas pode ser combatido.
 
4- DISCERNIMENTO SUFICIENTE PARA ESCOLHER OS QUE TORNARÃO A
VERDADE EFICAZ  

Tirando ao escritor a preocupação pelo destino dos seus textos, os usos
seculares do comércio da coisa escrita no mercado das opiniões deram-lhe a impressão de que a sua missão terminava logo que o intermediário,
cliente ou editor, se encarregava de transmitir aos outros a obra acabada.
O escritor pensava: falo e ouve-me quem me quiser ouvir. Na verdade, ele
falava e quem podia pagar ouvia-o. Nem todos ouviam as suas palavras, e
os que as ouviam não estavam dispostos a ouvir tudo o que se lhes dizia.
Tem-se falado muito desta questão, mas mesmo assim ainda não chega o
que se tem dito: limitar-me-ei aqui a acentuar que “escrever a alguém”
tornou-se pura e simplesmente “escrever”. Ora não se pode escrever a
verdade e basta: é absolutamente necessário escrevê-la a “alguém” que
possa tirar partido dela. O conhecimento da verdade é um processo
comum aos que lêem e aos que escrevem. Para dizer boas coisas, é
preciso ouvir bem e ouvir boas coisas. A verdade deve ser pesada por
quem a diz e por quem a ouve. E para nós que escrevemos, é essencial
saber a quem a dizemos e quem no-la diz.  
 
Devemos dizer a verdade sobre um mau estado de coisas àqueles que o
consideram o pior estado de coisas, e é desses que devemos aprender a
verdade. Devemos não só dirigir-nos às pessoas que têm uma certa
opinião, mas também aos que ainda a não têm e deviam tê-la, ditada pela
sua própria situação. Os nossos auditores transformam-se
continuamente! Até se pode falar com os próprios carrascos quando o
prêmio dos enforcamentos deixa de ser pago pontualmente ou o perigo
de estar com os assassinos se torna muito grande. Os camponeses da
Baviera não costumam querer nada com revoluções, mas quando as
guerras duram demais e os seus filhos, no regresso, não arranjam
trabalho nas quintas, tem sido possível ganhá-los para a revolução.  
 
Para quem escreve, é importante saber encontrar o tom da verdade. Um
acento suave, lamentoso, de quem é incapaz de fazer mal a uma mosca,
não serve. Quem, estando na miséria, ouve tais lamúrias, sente-se ainda
mais miserável. Em nada o anima a cantilena dos que, não sendo seus
inimigos, não são certamente seus companheiros de luta. A verdade é
guerreira, não combate só a mentira, mas certos homens bem
determinados que a propagam.
5- HABILIDADE PARA DIFUNDIR A VERDADE
Muitos, orgulhosos de ter a coragem de dizer a verdade, contentes por a
terem encontrado, porventura fatigados com o esforço necessário para
lhe dar uma forma manejável, aguardam impacientemente que aqueles
cujos interesses defendem a tomem em suas mãos e consideram
desnecessário o uso de manhas e estratagemas para a difundir.
Frequentemente, é assim que perdem todo o fruto do seu trabalho. Em
todos os tempos, foi necessário recorrer a “truques” para espalhar a
verdade, quando os poderosos se empenhavam em abafá-la e ocultá-la.
Confúcio falsificou um velho calendário histórico nacional, apenas lhe
alterando algumas palavras. Quando o texto dizia: “o senhor de Kun
condenou à morte o filósofo Wan por ter dito frito e cozido”, Confúcio
substituía “condenou à morte” por “assassinou”. Quando o texto dizia que
o Imperador Fulano tinha sucumbido a um atentado, escrevia “foi
executado”. Com este processo, Confúcio abriu caminho a uma nova
concepção da história.  
 
Na nossa época, aquele que em vez de “povo”, diz “população”, e em
lugar de terra”, fala de “latifúndio”, evita já muitas mentiras, limpando as
palavras da sua magia de pacotilha. A palavra “povo” exprime uma certa
unidade e sugere interesses comuns; a “população” de um território tem
interesses diferentes e opostos. Da mesma forma, aquele que fala em
“terra” e evoca a visão pastoral e o perfume dos campos favorece as
mentiras dos poderosos, porque não fala do preço do trabalho e das
sementes, nem no lucro que vai parar aos bolsos dos ricaços das cidades e
não aos dos camponeses que se matam a tornar fértil o “paraíso”.
“Latifúndio” é a expressão justa: torna a trapaça menos fácil. Nos lugares
onde reina a opressão, deve-se escolher, em vez de “disciplina”, a palavra
“obediência”, já que mesmo sem amos e chefes a disciplina é possível, e
caracteriza-se portanto por algo de mais nobre que a obediência. Do
mesmo modo, “dignidade humana” vale mais do que “honra”: com a
primeira expressão o indivíduo não desaparece tão facilmente do campo
visual; por outro lado, conhece-se de cara o gênero de canalha que
costuma apresentar-se para defender a honra de um povo, e com que
prodigalidade os gordos desonrados distribuem “honrarias” pelos
famélicos que os engordam.  
 
Ao substituir avaliações inexatas de acontecimentos nacionais por
notações exatas, o método de Confúcio ainda hoje é aplicável. Lênin, por
exemplo, ameaçado pela polícia do czar, quis descrever a exploração e a
opressão da ilha Sakalina pela burguesia russa. Substituiu “Rússia” por
“Japão” e “Sakalina” por “Coréia”. Os métodos da burguesia japonesa
faziam lembrar a todos os leitores os métodos da burguesia russa em
Sakalina, mas a brochura não foi proibida, porque o Japão era inimigo da
Rússia. Muitas coisas que não podem ser ditas na Alemanha a propósito
da Alemanha, podem sê-lo a propósito da Áustria. Há muitas maneiras de
enganar um Estado vigilante.  
 
Voltaire combateu a fé da Igreja nos milagres, escrevendo um poema
libertino sobre a Donzela de Orleans, no qual são descritos os milagres
que sem dúvida foram necessários para Joana d’Arc permanecer virgem
no exército, na Corte e no meio dos frades.  
 
Pela elegância do seu estilo e a descrição de aventuras galantes inspiradas
na vida relaxada das classes dirigentes, levou estas a sacrificar uma
religião que lhes fornecia os meios de levar essa vida dissoluta. Mais e
melhor deu assim às suas obras a possibilidade de atingir por vias ilegais
aqueles a quem eram destinadas. Os poderosos que Voltaire contava
entre os seus leitores favoreciam ou toleravam a difusão dos livros
proibidos, e desse modo sacrificavam a polícia que protegia os seus
prazeres. E o grande Lucrécio sublinha expressamente que, para propagar
o ateísmo epicurista confiava muito na beleza dos seus versos.  
 
Não há dúvida de que um alto nível literário pode servir de salvo-conduto
à expressão de uma idéia. Contudo, muitas vezes desperta suspeitas.
Então, pode ser indicado baixá-lo intencionalmente. É o que acontece, por
exemplo, quando sob a forma desprezada do romance policial, se
introduz à socapa, em lugares discretos, a descrição dos males da
sociedade. O grande Shakespeare baixou o seu nível por considerações
bem mais fracas, quando tratou com uma voluntária ausência de vigor o
discurso com que a mãe de Coriolano tentou travar o filho, que marchava
sobre Roma: Shakespeare pretendia que Coriolano desistisse do seu
projeto, não por causa de razões sólidas ou de uma emoção profunda,
mas por uma certa fraqueza de caráter que o entregava aos seus velhos
hábitos. Encontramos igualmente em Shakespeare um modelo de manhas
na difusão da verdade: o discurso de Marco Antônio perante o corpo de
César, quando repete com insistência que Brutus, assassino de César, é
um homem honrado, descrevendo ao mesmo tempo o seu ato, e a
descrição do ato provoca mais impressão que a do autor.  
 
Jonathan Swift propôs numa das suas obras o seguinte meio de garantir o
bem-estar da Irlanda: meter em salmoura os filhos dos pobres e vendê-los
como carniça no talho. Através de minuciosos cálculos, provava que se
podem fazer grandes economias quando não se recua diante de nada.
Swift fingia-se voluntariamente de imbecil, defendendo uma maneira de
pensar abominável e cuja ignomínia saltava aos olhos de todos. O leitor
podia-se mostrar mais inteligente, ou pelo menos mais humano que Swift,
sobretudo aquele que ainda não tinha pensado nas consequências
decorrentes de certas concepções.
São consideradas baixas as atividades úteis aos que são mantidos no
fundo da escala: a preocupação constante pela satisfação de
necessidades; o desdém pelas honrarias com que procuram enganar os
que defendem o país onde morrem de fome; a falta de confiança no chefe
quando o chefe nos leva a todos à catástrofe; a falta de gosto pelo
trabalho quando ele não alimenta o trabalhador; o protesto contra a
obrigação de ter um comportamento de idiotas; a indiferença para com a
família, quando de nada serve a gente interessar-se por ela. Os
esfomeados são acusados de gulodice; os que não têm nada a defender,
de covardia; os que duvidam dos seus opressores, de duvidar da sua
própria força; os que querem receber a justa paga pelo seu trabalho, de
preguiça, etc.  
 
Numa época como a nossa, os governos que conduzem as massas
humanas à miséria, têm de evitar que nessa miséria se pense no governo,
e por isso estão sempre a falar em fatalidade. Quem procura as causas do
mal, vai parar à prisão antes que a sua busca atinja o governo. Mas é
sempre possível opormo-nos à conversa fiada sobre a fatalidade: pode-se
mostrar, em todas as circunstâncias, que a fatalidade do homem é obra
de outros homens. Até na descrição de uma paisagem se pode chegar a
um resultado conforme à verdade, quando se incorporam à natureza as
coisas criadas pelo homem.
 
RECAPITULAÇÃO  
A grande verdade da nossa época (só seu conhecimento em nada nos faz
avançar, mas sem ela não se pode alcançar nenhuma outra verdade
importante) é que o nosso continente se afunda na barbárie porque nele
se mantêm pela violência determinadas relações de propriedade dos
que é bárbaro o estado de coisas em que nos afundamos (o que é
verdade), se a razão de termos caído nesse estado não se descortina com
clareza? É nossa obrigação dizer que, se se tortura, é para manter as
relações de propriedade. Claro que ao dizermos isso perdemos muitos
amigos; aqueles que são contra a tortura porque julgam ser possível
manter sem ela as relações de propriedade (o que é falso).  
 
Devemos dizer a verdade sobre as condições bárbaras que reinam no
nosso país a fim de tornar possível a ação que as fará desaparecer, isto é,
que transformará as relações de propriedade.  
 
Devemos dizê-la aos que mais sofrem com as relações de propriedade e
estão mais interessados na sua transformação, ou seja: aos operários e
aos que podemos levar a aliarem-se com eles, por não serem
proprietários dos meios de produção, embora associados aos lucros e
benefícios da exploração de quem produz. E, é claro, devemos proceder
com astúcia.  
 
Devemos resolver em conjunto, e ao mesmo tempo, estas cinco
dificuldades, já que não podemos procurar a verdade sobre condições
bárbaras sem pensar nos que sofrem essas condições e estão dispostos a
utilizar esse conhecimento. Além disso, temos de pensar em apresentar-lhes a verdade sob uma forma suscetível de se transformar numa arma
nas suas mãos, e simultaneamente com a astúcia suficiente para que a
operação não seja descoberta e impedida pelo inimigo.  
 
São estas as virtudes exigidas ao escritor empenhado em dizer a verdade.
 
Texto de 1934.  
 
Tradução de Ernesto Sampaio.