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Não medite – seja!

Não pense que você é – seja!

Não pense sobre ser – você é!

cosmic man

Os ensinamentos de Sri Ramana apontam que o Ser (Self ou Atman [1]) ou Pura Consciência é a única realidade e o verdadeiro “Eu” de todas as coisas, e que isso já é naturalmente assim, não sendo necessário “alcançar” a Iluminação, mas apenas remover os obstáculos – mentais, imaginários – que aparentemente a ocultam. Em suas palavras:

 

O sentimento “eu não realizei” é o obstáculo à Realização. Na verdade já há a Realização. Não há nada mais a ser realizado. Se houvesse, a realização seria algo novo que não existia antes, mas que acontecerá em algum momento no futuro; mas tudo o que surge também desaparece. Se a Realização fosse algo assim não seria eterna e, sendo transitória, não valeria a pena ser buscada. Portanto, o que nós buscamos não é algo que vai começar a existir, mas sim aquilo que existe eternamente mas que está velado por nossas obstruções mentais. Tudo o que precisamos fazer é remover a obstrução.

Não existe o “realizar o Ser”. Como é possível real-izar, ou “tornar real”, aquilo que já é real? As pessoas “realizam”, ou encaram como real, o que é irreal, e tudo o que precisam é desistir de fazer isso. Quando você fizer isso você permanecerá como [realmente] é e sempre foi, e o Real será Real. Todas as religiões e suas práticas surgiram apenas para ajudar as pessoas a desistirem de ver o irreal como real.

 

O obstáculo ou ignorância espiritual (avidya ou ajnana), para Bhagavan, nada mais é do que a mente, que é um nome coletivo para todos fenômenos mentais ou pensamentos (neste termo também englobados outros movimentos tais como sentimentos, intuição, memória, sensação, insights, emoções, percepções, etc.). Transcendida a mente, a pessoa descobre que há apenas o Ser, que tudo é o Ser, e que sempre houve apenas o Ser, sem qualquer modificação. Ela compreende, por fim, que mesmo a mente (que era o aparente obstáculo ao Ser) nada mais é do que uma manifestação ilusória do próprio Ser, e que aquele que estava aprisionado era nada mais do que um produto da própria mente: um conceito.

 

Muito bem, este é o ponto que todas as práticas e filosofias que tem como essência a não-dualidade concordam. Agora, Ramana Maharshi aponta que todos os fenômenos mentais tem uma raiz única, um denominador comum, e que este é o pensamento-“eu” (aham vritti), ou ego. Em outras palavras: tudo o que surge na mente e todos os mais variados elementos da experiência humana tem como DNA comum esse sabor de “eu individual”. Tudo o que acontece no “meu universo” acontece para mim e – Bhagavan ousa dizer para aqueles que estão prontos a entender – sua própria existência depende da existência do observador. Esse “conceito de eu” nada mais é do que uma falsa identificação entre a Pura Consciência (que é por natureza imaterial, ilimitada e intangível) e o corpo.

 

O Eu Real é Pura Consciência. Porém, a pessoa se identifica com o corpo que é insensível. O corpo não diz “eu sou o corpo”. O Eu ilimitado também não o faz. Alguém diz – quem é? Um “eu” imaginário surge entre a Pura Consciência e o corpo inerte e se imagina limitado ao corpo. Busque esse eu e ele desaparecerá como um fantasma. Este fantasma é o ego, a mente, ou a individualidade.

 

O ego nada mais é do que uma distorção do Ser; ele é a primeira manifestação, o primeiro conceito de maya, e também a porta de retorno ao estado original. O Maharshi aponta que qualquer prática ou esforço espiritual tem como ponto de origem o ego (que é o “fazedor” do esforço e aquele que busca os resultados), já que o puro Ser não tem qualquer necessidade de prática espiritual, já sendo a própria Realidade do Nirvana. Sendo assim, todo “esforço espiritual” tem o condão apenas de alterar o ego, sublimando-o e purificando-o, mas não de “eliminar” o ego, já que a própria prática é baseada em uma noção equivocada de se estar em um “estado de não-iluminação”.

 

O Eterno só não é reconhecido como tal devido à ignorância; logo, a ignorância é o obstáculo. Livre-se dela e tudo estará bem. A ignorância nada mais é do que o pensamento – “eu” – descubra sua fonte e ele desaparecerá.

Como todos os outros pensamentos só podem surgir depois do aparecimento do pensamento-eu, e como a mente nada mais é do que um conglomerado de pensamentos, é apenas [voltando a atenção ao pensamento-eu] através da inquirição “Quem sou eu?”  que a mente será extinta. Além disso, o pensamento-eu – implícito na investigação “Quem sou eu?” – destruirá todos os outros pensamentos e, como a vareta usada para avivar a pira funerária, no final ele mesmo será consumido.

 

Qual é, então, a sugestão inovadora de Sri Ramana para transcender essa ilusão de “eu”? É de que, em vez que presumir que somos um ser individual (incompleto e imperfeito), e então adentrar em um árduo processo de purificação ou superação da mente – que é essencialmente não-existente – devemos apenas voltar nossa atenção para dentro e questionar a validade desse “eu”. Qual é a identidade do “buscador” ou “praticante”? Quem sou eu? Essa é a autoinquirição (atma vichara) ensinada pelo Mestre.

 

Este é o método direto. Todos os outros métodos só podem ser praticados retendo-se o ego, e neles surgem muitas dúvidas, enquanto que a pergunta última é apenas atacada no final. Mas neste método, a pergunta última é a única pergunta e ela é levantada desde o começo. A tentativa de destruir o ego ou a mente por outros métodos que não a autoinquirição é como o ladrão que se torna policial para pegar o ladrão que é ele mesmo. Apenas atma vichara pode revelar a verdade de que nem o ego nem a mente realmente existem, assim possibilitando a realização do Ser puro e indiferenciado do Eu Real ou Absoluto.

 

Mas, como “praticar” essa investigação? O método da autoinquirição, em uma palavra, consiste em manter a atenção focada internamente no puro sentimento de existir, o EU SOU, evitando qualquer associação, retornando sempre a este espaço através da pergunta “quem sou eu?”.

Explica-se. Conforme dito anteriormente, o ego – matriz do samsara – é essa “mistura” da Pura Consciência (que brilha como o puro EU SOU) e o corpo, que em si é inerte, e a voz dessa identificação é a impressão profunda de que “eu sou o corpo” ou “eu sou a mente” ou “eu sou isso/aquilo, assim/assado”. Enquanto o Ser é apenas o “EU SOU”, o ego é o “EU SOU + algo”, sendo este “algo” o que os hindus chamam de upadhi, ou adjunto limitador. É limitador porque qualquer coisa com a qual a Consciência se identifique lhe dará uma falsa sensação de ser aquilo, de estar contida nos limites daquele fenômeno, enquanto que todos os fenômenos são apenas movimentos observados dentro desse espaço-Consciência (chit-akasha), movimentos esses que tem como características aquelas três apontadas pelo Buda Gautama: impermanência, não-eu (vazio) e insatisfatoriedade. Portanto, quando a atenção, que é o aspecto dinâmico da Consciência manifestando-se enquanto ser humano, fixa-se no puro sentimento de EU SOU, a Consciência permanece enquanto apenas Ser, sem se associar com nada, não se manifestando como ego (que nada mais é do que uma distorção do Ser-Consciência). Com esse simples exercício o ego e todo o seu universo é imediatamente transcendido.

“Eu sou” é a realização. Seguir essa “pista” até o fim é a autoinquirição. “Eu sou” é o objetivo e a realidade final.

É natural que o conceito-de-“eu” retorne e se “prenda” ao Ser, assim parecendo ocultar a realidade. Contudo, com a prática constante dessa contemplação do EU SOU a atenção passa a permanecer na não-localidade da Consciência com cada vez mais facilidade e por cada vez mais tempo. Quando esse permanecer como “eu sou” – daí a frase do Ramana “seja quem tu és” – torna-se completamente espontâneo e inafastável, há o que se chama de Realização ou Iluminação.

 

Quando a mente investiga a sua própria natureza incessantemente será descoberto que não existe nada como “mente”. Este é o caminho direto aberto a todos.

Por trás de todos os pensamentos há um pensamento geral, que é o “eu”, ou seja, você mesmo. Mantenha-se neste pensamento-eu e investigue o que ele é. Quando essa investigação tomar conta de você, você será incapaz de pensar outros pensamentos.

A prática espiritual (abhyasa) consiste em retornar ao Eu Real toda vez que você for perturbado pelo pensamento.

Você não precisa eliminar nenhum falso “eu”. Como pode o “eu” eliminar a si mesmo? Tudo o que você precisa fazer é encontrar a Fonte do “eu”, e permanecer lá. O seu esforço só pode levá-la até este ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.

Este ego fantasmagórico, que não possui forma, surge agarrando-se a uma forma, e enquanto ele estiver apegado a uma forma e continua, mas quando investigado ele desaparece.

 

Embora Sri Ramana mencionasse que a experiência do Ser é sentida no corpo como se estivesse localizada no “coração espiritual” (no lado direito do peito), deixava claro que concentrar-se nesse centro não produziria a experiência, sendo apenas um efeito colateral desta. Bhagavan também deixava claro que a inquirição “Quem sou eu?” – podendo ainda ser feita como “Da onde eu vim?” – não é um processo de investigação intelectual, nem um mantra a ser repetido, mas apenas uma ferramenta para expor a irrealidade do eu individual.

 

A autoinquirição não é exatamente uma meditação formal, podendo ser feita em todos os momentos do dia. Independentemente da atividade em que estamos envolvidos, parte da nossa atenção pode estar sempre focada no “pano de fundo” de apenas Ser. Mesmo assim, para a maioria das pessoas separar alguns minutos do dia para sentar em silêncio com apenas isso pode ser uma ajuda valiosa.

 

D.: Qual é o momento do dia mais adequado à meditação?

B.: O que é “tempo”, “momento”?

D.: Me responda!

B.: O tempo é apenas um conceito. Existe apenas a Realidade. O que quer que você pense que é, ela aparenta ser. Se você a chama de tempo ela é tempo, se você a chama de existência ela é existência, e assim por diante. Depois de rotulá-la tempo você a divide em dias e noites, meses, anos, horas, minutos, e assim vai. O tempo é irrelevante para o caminho do Conhecimento. No entanto, algumas dessas regras e disciplinas podem ajudar os iniciantes.

 

Conquanto os ensinamentos de Sri Ramana se assemelhem em muito aos do Advaita Vedanta hindu tradicional, sua abordagem prática difere. A prática Advaita ortodoxa é feita através das negações e afirmações. Mediante a prática do neti-neti o buscador rejeita tudo aquilo que é percebido ou experimentado como sendo “não-eu” ou irreal. Pela prática das afirmações o discípulo faz uso das Grandes Revelações (mahavakyas), tais como “Eu sou Aquilo” ou “Eu sou Brahman (o Absoluto)”, mediante repetição mental de tais fórmulas. Bhagavan ensinava que tais métodos podem ser úteis para a aquietação da mente, mas que não são o método final ou mais direto. No caso do neti-neti, porque o ego que nega todas as outras coisas não pode negar a si mesmo; no caso dos mahavakyas, porque quem repete a assertiva e se convence da sua realidade é o próprio ego, que ao final deve ser abandonado. O ensinamento básico da auto-investigação de Ramana Maharshi é no sentido de que nenhuma atividade mental (tal como afirmação e negação) pode levar a pessoa além da mente ou destruí-la. Ao mesmo tempo, o Sábio aceitava a validade de todos os métodos e práticas como meio de purificar e acalmar a mente, preconizando que apenas uma mente pura e clara (sattvica) é sutil o bastante para compreender a Verdade. Ressaltava, contudo, que independentemente do caminho seguindo, no final o ego só poderia ser transcendido pela investigação “quem sou eu?” ou pela entrega.

 

Se a pessoa se entregar completamente, não sobrará ninguém para fazer perguntas ou para ser levado em consideração. Ou os pensamentos são eliminados agarrando-se o pensamento raiz, o “eu”, ou a pessoa se entrega incondicionalmente ao Poder Maior. Esses dois são os únicos caminhos rumo à Realização. [2]

 

Encerro esta exposição compartilhando algumas pérolas do Ramana Maharshi.

 

É verdade que o Ser do Guru é idêntico ao do discípulo. No entanto, apenas muito raramente uma pessoa pode realizar seu verdadeiro Ser sem a graça do Guru.

O silêncio é o ensinamento mais poderoso. Por mais vastas e enfáticas que as escrituras possam ser, elas não alcançam o seu propósito. O Guru é silencioso e com isso a paz prevalece em todos. O seu silêncio é mais vasto e mais eloqüente que todas as escrituras juntas.

Nenhuma teoria é necessária a um homem que sinceramente deseja chegar a Deus ou realizar seu verdadeiro Ser.

Apenas o Ser existe e é real. O mundo, o indivíduo e Deus são criações imaginárias dentro do Ser, tal como o aparecimento da prata na madrepérola. Eles aparecem e desaparecem simultaneamente. Na verdade, apenas o Eu Real é o mundo, o “eu”, e Deus. Tudo o que existe é apenas uma manifestação do Ser Supremo.

Não há mistério maior que este: que sendo a Realidade nós buscamos alcançar a Realidade. Nós pensamos que existe algo ocultando a Verdade e que isso deve ser destruído a fim de que possamos atingir a Verdade. É ridículo. Chegará o dia em que você vai rir de todos os seus esforços pretéritos. Aquilo que será no dia em que você rir também é aqui e agora.

Não há criação, destruição, prisão, desejo de libertar-se, esforço pela libertação nem ninguém iluminado. Esta é a verdade suprema.

 

 

Ramana Maharshi

Ramana Maharshi


[Artigo publicado na Revista Bodigaya nº 21, ano 2009. Veja também a versão integral desse artigo, que contém, além da parte aqui exposta, um esboço biográfico do Maharshi]

 


[1] Em nossa tradução do livro “Os Ensinamentos de Sri Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras” optamos pelo uso do termo “Eu Real”, que também é uma tradução válida. Neste artigo, contudo, achamos por bem traduzir mais como “Ser”.

[2] T., 321

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Continuando com as matérias esclarecedoras sobre simbologia , dessa vez iremos fazer uma rápida viagem até  as índias, onde conheceremos uma grande divindade hindu, conhecida por justamente se apresentar em uma forma incomum que pode até causar estranheza , seu nome é Ganesha ( sânscrito : श्रीगणेश).

Antes de  explicar o significado dessa popular divindade, vamos entender um pouco mais sobre o hinduísmo e seus conceitos.

O hinduísmo, também é conhecido como “ religião eterna “ e tem essa definição por não se  ter conhecimento de quem a fundou  ou a introduziu, teve seu inicio as margens do Rio Ganges a mais ou menos 5 mil atrás . O hinduísmo engloba uma série de ensinamentos , tradições e mitos, onde existem milhares de divindades  ,dentre as principais citaremos :

Brahma :  A causa , a origem e a própria essência do universo, sem ele nada existe.

Vishnu :  A força que mantém toda a vida ,  força que cura e salva.

Shiva : É o renovador, assim como cria também destrói, é o destruidor  que renova e recria.

As divindades hindus são muitas vezes representadas como tendo vários braços e cabeças, o que simboliza seus muitos poderes ( virtudes ) .

Bem, não vamos nos aprofundar no hinduísmo, nosso propósito é apenas dar um exemplo de uma forte simbologia , o básico do  hinduísmo é o conhecimento interior e a figura de Ganesha representa isso de forma exemplar, de entendimento fácil e intuitivo.

Ganesha é o filho primogênito de Shiva, o destruidor e Parvati, a deusa da natureza. Ele é representado em um corpo de menino com cabeça de elefante e possuí quatro braços.

Uma das coisas mais interessantes ao se estudar o hinduísmo é notar que todas as divindades representam não um deus propriamente dito, mas sim aspectos ou virtudes humanas, no caso de Ganesha não é diferente, ele é o símbolo do conhecimento  e sabedoria.

Segundo o hinduísmo, Ganesha foi o escriba dos textos védicos, usando para isso um pedaço de seu próprio marfim que serviu como pena, notemos que, os vedas são os únicos escritos do hinduísmo, divididos em quatro livros, contém todo o conhecimento do hinduísmo, e foram assim escritos pela divindade que simboliza o conhecimento e sabedoria,  ou seja, os vedas foram “ escritos” pelo conhecimento usando uma ferramenta da sabedoria.

O mais interessante sem dúvida é a simbologia da própria divindade Ganesha :

Orelhas grandes : Escutar bem, saber ouvir os ensinamentos ( Sravanam ).

Olhos pequenos : Enxergar com concentração , se concentrar no que se aprende.

Boca pequena : Falar menos  e apenas o essencial.

Cabeça grande : Ter a capacidade de aprender sempre mais,ser inteligente, não esquecer o que foi  ensinado, possuir a “ memória de elefante “.

A barriga saliente : Ter a capacidade de “engolir, digerir  e assimilar “ todos os obstáculos lentamente, assim como todo conhecimento adquirido.

A tromba : Representa o discernimento entre o espiritual e o material e mundano.

Ganesha possui quatro braços, onde cada um deles segura um objeto ou faz um sinal especifico em cada mão, a mão superior direita carrega um pequeno machado, que simboliza o “corte” aos apelos materiais e dos desejos do ego, elimina os obstáculos  para que a mente compreenda melhor os ensinamentos e atinja o conhecimento mais facilmente.

A mão superior esquerda, segura normalmente uma lótus mas algumas vezes também pode segurar um laço,  onde representa   o apego a verdade, ser “amarrado” ao eu verdadeiro, a realidade suprema,  o “eu” absoluto, enquanto a lótus define a natureza pura, imaculada  e absoluta.

Na mão inferior direita vemos o mudra “Abhãya Mudra” que faz  referência a preparação mental, normalmente usada para fazer uma meditação, um estado de preparo mental.

Já não mão inferior esquerda vemos um prato recheado com “Modaka” um doce hindu feito de arroz e leite, onde é representado a satisfação,  a plenitude ao se alcançar o caminho da disciplina e do  autoconhecimento, o prêmio pela vitória acima do ego.

O pequeno  rato que aparece no chão perto da divindade  e que muitas vezes entra em cena como sendo a montaria de Ganesha,  representa o EGO , seus desejos, voracidade e cobiça, sempre “roubando” mais  do pode comer , ao ilustrar Ganesha montando o  rato é simbolizado  que o conhecimento se sobrepõe ao ego, o controlando e o guiando no caminho da sabedoria e do autoconhecimento.

A figura de Ganesha que é o filho primeiro de Shiva ( destruição para renovar ) e Parvati ( natureza, pureza e imponência ) , representa tão somente o conhecimento, a sabedoria, e sua imagem nos lembra a todo momento o caminho que deve ser seguido para se alcançar esse conhecimento, simples assim.

Existem outras simbologias  na divindade Ganesha, mas creio que essas sejam as principais, que mostram claramente como a simbologia tem  um impacto direto no nosso subconsciente e que vista sem a intromissão do ego  ela se faz completamente aceitável e faz  todo sentido.

Até a próxima matéria sobre simbologia e seus significados.

O Ovo

Publicado: agosto 9, 2012 em Conhecimento Antigo
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O Ovo ( The Egg )

Escrito por Andy Weir

Traduzido por Carlos Buosi

 

Você estava a caminho de casa quando morreu.

Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.

E foi aí que você me conheceu.

“O que-… o que aconteceu?” Você perguntou. “Onde estou?”

“Você morreu,” Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.

“Havia um caminhão.. e ele derrapou..”

“Isso aí,” Eu disse.

“Eu.. Eu morri?”

“É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre,” Eu disse.

Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. “Que lugar é esse?” Você perguntou. “Isso é o paraíso?”

“Mais ou menos,” Eu disse.

“Você é Deus?” Você perguntou.

“Isso ai,” Respondi. “Eu sou Deus.”

“Meus filhos… minha mulher,” você disse.

“O que tem eles?”

“Eles ficarão bem?”

“É isso que eu gosto de ver,” Eu disse. “Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa.”

Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.

“Não se preocupe,” Eu disse. “Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você. Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada.”

“Ah..”Você disse. “Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?”

“Nenhum dos dois” Eu disse. “Você vai reincarnar.”

“Ah,” você disse. “Então os Hindus estavam certos,”

“Todas as religiões estão certas de alguma forma,” Eu disse. “Venha comigo.”

Você me seguiu enquanto caminhavamos pelo vazio. “Aonde estamos indo?”

“A lugar nenhum específico,” Eu disse. “Só gosto de andar enquanto conversamos.”

“Então que sentido isso faz?” Você perguntou. “Quando renascer, eu vou esquecer tudo, não é?” Um bebê. Então todas as minhas experiências e tudo que fiz nessa vida não significaram nada.”

“Não é por aí!” Eu disse. “Você tem dentro de você todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas coisas agora.”

Eu parei de andar e coloquei as mãos em seus ombros. “Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá.

Você foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer isso entre cada vida.”

“Quantas vezes eu já reencarnei, então?”

“Ah, muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes.” Eu disse. “Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C.”

“Es-espera aí, como?” Você gaguejou. “Você está me mandando de volta no tempo?”

“Bem, tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu universo. As coisas funcionam de outro jeito de onde eu venho.”

“De onde você vem?” Você disse.

“Ah claro, ” Eu expliquei “Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente, você não iria entender.”

“Ah,” Você disse, um pouco desanimado. “Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo, eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez.”

“Claro. Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo.”

“Então, qual é o sentido?”

“Ta falando sério?” Perguntei. “Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?”

“Bem, é uma pergunta plausível,” Você persistiu.

“Eu te olhei nos olhos. “O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça.”

“Você ta falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?”

“Não, somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior.”

“Só eu? E as outras pessoas?”

“Não há mais ninguém,” Eu disse. “Nesse universo, só existe você e eu.”

Você me olhou com um olhar vazio. “Mas e todas as pessoas da Terra…”

“Todos são você. Diferentes encarnações de você.”

“Que? Eu sou todo mundo?”

“Agora você está entendendo, “Eu disse, te dando uma tapinha nas costas.

“Eu sou todo ser humano que já viveu?”

“Ou quem irá nascer, sim.”

“Eu sou Abraham Lincoln?”

“E você é John Wilkes Booth, também, ” Completei.

“Eu sou Hitler?” Você disse, horrorizado.

“E também é os milhões que ele matou.”

“Eu sou Jesus?”

“E também é todos que o seguiram.”

Você ficou em silêncio.

“Toda vez que você enganou alguém, ” Eu disse, “você estava enganando a si mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo. Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e será, aproveitado com você.”

Você ficou pensando por um longo tempo.

“Por quê?” Você me perguntou. “Por que fazer tudo isso?”

“Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho.”

“Nossa,” você disse, incrédulo. “Quer dizer que sou um Deus?”

“Não, ainda não. Vocé um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o suficiente para nascer.”

“Então todo o universo,” você disse, “é somente…”

“Um ovo.” Respondi. “Agora é hora de você ir para sua próxima vida.”

E eu enviei você de volta.