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Mais uma matéria do rizoma.net abordando as ” religiões corporativas ” e seu controle sobre as ” ovelhas “,  boa leitura.

AS OITO CARACTERÍSTICAS DOS CULTOS QUE ATUAM NO CONTROLE
MENTAL.  
Por Randall Watters

Nos últimos 20 anos, “Lavagem Cerebral” tornou-se uma palavra muito
conhecida. Em 1961 Robert J. Lifton, depois de ter estudado os efeitos do
controle mental nos presos de guerra americanos capturados pelos
comunistas chineses, publicou o livro fundamental sobre esta teorias :
Thought Reform and the Psychology of Totalism’ [Reforma do
Pensamento e a Psicologia do Totalitarismo].
 
No capítulo 22 desse seu livro, Lifton descreve os oitos instrumentos de
controle mental usados pelos cultos políticos, religiosos ou psíquicos:
 
1) Milieu Control [Controle Ambiental]

‘Milieu’ é uma palavra francesa que significa “ambiente ao redor”. As
seitas e os cultos conseguem controlar o ambiente em que vivem seus
adeptos de diversas maneiras, mas quase sempre usam uma forma de
isolamento. Os adeptos são isolados fisicamente da sociedade, ou são
ameaçados de castigos se entrarem em contato com as informações das
mídias, sobretudo quando estas informações podem criar pensamentos
críticos. Qualquer livro, filme ou testemunha de ex-membros, assim como
qualquer informação que seja crítica contra o grupo, deve ser evitada.
 
A seita fornece atentamente as informações aos membros. Tudo vem
cuidadosamente avaliado por receio de que possa ser contrário, ou vá
além do pensamento da seita. Aos adeptos, o fato de que a organização
pareça ter um vasto conhecimento sobre tudo e todos garantem-lhes
uma capacidade de oniciência.  
 
2) Manipulação Mística
 
Nas seitas religiosa Deus está sempre presente. Se para um motivo
qualquer uma pessoa afasta-se, cada doença ou infortúnio que lhe
aconteça será atribuído como um castigo de Deus, e circulam histórias de
como Deus realmente esteja fazendo acontecer coisas maravilhosas aos
fiéis, pois eles são “a verdade”. A organização se reveste de uma certa
“misticidade” que, para os novatos, é realmente sedutora.  
 
3) Necessidade de Pureza
 
O mundo vem pintado em branco e preto, com pouco espaço para tomar
decisões pessoais baseadas na consciência individual. A conduta
individual vem modelada de acordo com a ideologia do grupo, como
ensinado na sua literatura. As pessoas e as organizações são divididas
entre boas ou malvadas, de acordo com o relacionamento delas com o
grupo.
 
Para controlar o adepto, todas as seitas usam o senso de culpa e de
vergonha, também depois que abandonaram o grupo. Tudo vem
polarizado e super exemplificado. Todas as coisas classificadas como
malvadas devem ser evitadas, e a pureza alcança-se com a absoluta
aceitação da ideologia da seita.
 
4) A Adoração da Confissão
 
As culpas graves (para a ideologia do grupo) devem ser confessadas logo.
Se a conduta dos membros é contraria às regras, deve-se fazer relato.
Com freqüência encontra-se a inclinação para ganhar prazer com a auto-degradação por meio da confissão. Isso acontece quando é um dever
confessar os próprios pecados frente aos outros regularmente, criando
um forte senso de identidade com o grupo. Isso permite aos líderes de
exercer também a autoridade diretamente sobre o interno do grupo nos
mais fracos, usando as “culpas” como chicote.  
 
5) As “Ciências Sagradas”
 
A ideologia da seita torna-se o ponto de vista moral definitivo que regula
a existência humana. A ideologia é “sagrada” demais para ser discutida, e
é um dever o respeito aos líderes. A ideologia da seita faz afirmações
exageradas acerca da perfeição de sua lógica, apresentando-a como uma
verdade absoluta e perfeita. Um sistema assim atraente oferece
segurança.
 
6) Linguagem Carregada/Redefinida
 
Lifton explica o abundante uso de “clichê bloqueia-pensamento”, ou seja:
frases ou palavras desenhadas para bloquear uma conversa ou uma
discussão. Um exemplo são as palavras “capitalista” e “imperialista”
usados pelos pacifistas nas décadas 60. Estes clichê são fácil pra lembrar e
para usar. São chamados “linguagem do não-pensamento”, porque
terminam a conversa sem outras considerações.
 
7) É mais importante a Doutrina do que a Pessoa
 
Uma pessoa é valorizada na medida que ela se conformar às regras da
seita. As percepções da lógica, se estão em desacordo com a ideologia,
são desprezadas. A história da seita é alterada para adaptá-la a lógica
doutrinária.
 
8) Dispensa da Existência
 
A seita estabelece quem “merece” existir e quem não tem este direito.
Estabelece quem deve morrer na luta final entre o bem e o mal. A família
inteira [do adepto] e quem não pertence ao grupo pode ser enganado
pois não merece existir!

Tradução: A. Maria De Florim e M Martinelli ( martinelli@usa.com).