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David Bohm

O filme examina o ressurgimento de técnicas arcaicas de êxtase no mundo moderno, tecendo uma síntese da consciência ecológica e evolutiva, a cultura de dança eletrônica, e a atual reavaliação farmacológica de compostos enteógenos. Depoimentos de Stanislav Grof e Ralph Metzner entre outros.

…ou porque as sondas Viking I e II e a Mars Pathfinder encontraram somente pedras e areia vermelha em meio a um deserto inabitado num mundo fervilhando com vida muito inteligente.

Por Helen M. Canterbury
marvin
Marcianos estão num meio termo entre a ciência e a religião terrenas. Eles não são nem uma coisa nem outra. Tanto a ciência quanto a religião separam o sujeito do objeto. Marcianos não.

O método científico como conhecido na Terra, por exemplo, separa o observador do fenômeno, tomando por certa a premissa de que o fenômeno é algo que existe por si mesmo. Ele assume que o fenômeno é’ alguma coisa que você pode colocar num laboratório, medir, quantificar, e repetir exaustivamente tantas vezes quantas necessárias a fim de elaborar uma teoria ou de enunciar um teorema.

Marcianos, entretanto, tem planos diferentes. Eles conhecem as leis da física quântica muito bem, e eles aplicam as suas regras a qualquer um tentando investigá-los, seja em Marte seja na Terra. Eles são como mercúrio : você não pode “pegá-los” com suas mãos. Eles escorrem por entre as suas mãos bem debaixo do seu nariz.

Eles têm a habilidade de ler seus pensamentos tão facilmente que poder-se-ia dizer que isto é tão simples para eles quanto andar ou beber um copo d’água. Do ponto-de-vista marciano, trata-se de algo bem corriqueiro.

Então aqui você tem uma inversão total do método científico como conhecido na Terra : o assim chamado “fenômeno” é inteligente e investiga o observador. Você não pode investigar um marciano : ele investiga você antes.

É por isso que você não pode colocá-los num laboratório. É por isso que as duas sondas espaciais que aterrissaram em Marte em 1976 – as Vikings I e II – não acharam nada a não ser pedras e areia vermelha num deserto inabitado.

O que é real ? O que é realidade ? Varia de observador para observador… Se você considerar “realidade” como tudo o que penetra o seu campo de percepção e que consequentemente pode ser percebido através de seus sentidos físicos, ou através das lentes e ponteiros dos seus instrumentos, então alguém mais apenas tem que manipular as aparências do que você supõe estar existindo à sua volta ou manipular as lentes e ponteiros de seus instrumentos para criar novas descrições de realidade para sua mente.

Como você sabe que um filme é um filme ? É porque você vai ao cinema ou para a sua TV sabendo previamente que é apenas um filme. E se um “filme” pudesse ser projetado por meio de tecnologia avançada nas lentes e ponteiros dos seus instrumentos, e os “produtores” deste “filme” não quisessem que você soubesse que na realidade os seus instrumentos estavam tirando fotos de um holograma tangível de três dimensões ? Seus instrumentos poderiam fazer qualquer coisa que você quisesse, incluindo colher e analisar “amostras de solo”, “amostras de pedra” ou a “composição da atmosfera” deste holograma físico e tangível… Como você poderia então separar a “realidade” da ilusão ?

É por isso que todas as sondas terrestres enviadas a Marte até este momento – incluindo as Vikings I e II, e também a recente Mars Pathfinder em 1997 – descobriram apenas o que os marcianos as prepararam para encontrar…

Existe vida inteligente em Marte. Vida extremamente inteligente, aliás. Os marcianos vêm captando nossas transmissões de TV desde os anos 20. Durante o século vinte – particularmente após as duas explosões públicas de bomba atômica em 1945 (Hiroshima e Nagasaki), eles vêm enviando milhões e milhões de seus cidadãos para se misturar com os terrestres na Terra.

Eles estabeleceram dezenas de Centros de Operações ao redor do mundo – a maioria em instalações subterrâneas – assim como milhares e milhares de postos avançados e cabeças-de-ponte militares na superfície da Terra. Estas instalações subterrâneas não tem nada a ver com aquelas descritas por certas áreas da Ufologia. Estas últimas – quando não mistificações – são mais apropriadas para outro tipo de alienígenas (anteriormente) presentes na Terra, representando as forças involutivas.

Desde o final do século dezenove, forças involutivas representando a escória deste quadrante da galáxia demonstraram interesse em colonizar o planeta Terra, escravizar sua população, comprar a ajuda de alguns colaboradores, e estabelecer aqui um trampolim estratégico para invadir Marte, vizinha da Terra no sistema. Sabendo disso, os marcianos se anteciparam, fazendo sua jogada da mesma forma que jogadores numa partida cósmica de xadrez.

Diferentemente do que a cultura terrestre erradamente absorveu, os marcianos também são humanos. Eles também têm duas pernas, dois braços, cabeça, tronco, e aproximadamente a mesma estatura. Eles também tem um nariz, dois ouvidos, uma boca e dois olhos. Existem diferenças, entretanto. A forma original de um marciano apresenta uma variação na textura da pele – a qual é macia como a pele de um bebê terrestre, ainda que muito forte – e também variações menores no formato dos olhos, suas pupilas, e nas orelhas, de forma tal que eles não poderiam operar na superfície da Terra sem serem reconhecidos. É por causa disto que eles têm de alterar suas formas ao menos levemente a fim de viver aqui.

Marcianos são espiritualmente desenvolvidos e têm uma mentalidade totalmente diferente. Comparativamente, uma criança marciana é espiritualmente mais desenvolvida do que os mais avançados entre a elite dos monges tibetanos terrestres. Eles estão anos-luz à frente da mentalidade Zen.

Eles têm vivido em paz e harmonia pelos últimos dois mil anos terrestres, desde que uma Invasão frustrada perpetrada por uma raça de conquistadores alienígenas não-humanos forçou-os todos a unir suas forças e a expulsar os invasores. Como resultado deste trauma e após um tremendo salto em sua ciência, eles construíram Fobos, o qual é um satélite artificial gigante e que funciona como o quartel-general militar da Aliança para este sistema solar.

Eles não usam mais dinheiro, e transcenderam a necessidade de sexo. Apenas o amor verdadeiro sobreviveu após alguns séculos de transformação. Sua atual sociedade é o que muitos na Terra chamariam de “paraíso”. Agora muitos deles estão aqui vivendo entre nós, se comportando exatamente como personagens num palco, fazendo exatamente o que os terrestres fazem.

Quando não estão operando no palco da Terra, contudo, marcianos comportam-se diferentemente. Eles não comem carne, por exemplo. Comer carne animal em Marte seria considerado como sendo tão bárbaro como seria comer carne humana na Terra.

Eles jamais tiveram a intenção de interferir com o livre arbítrio dos indivíduos vivendo na Terra, e sendo assim tiveram uma preocupação especial em relação a ser observados da Terra. Eles jamais poderiam permitir que uma simples observação pudesse gerar uma reação em cadeia que espalhasse a noticia sobre a existência de vida em Marte e que causaria mudanças profundas na sociedade terrestre.

A mentalidade terrestre de “conquistar”, “pegar”, “explorar” novos “territórios” e usá-los em seu próprio “benefício” para gerar “lucros” para uns poucos indivíduos certamente prevaleceria sobre qualquer outro ponto-de-vista.

Então desde o início uma operação militar marciana foi ativada na Terra : todos os telescópios precisos o bastante para detectar sinais inquestionáveis de vida inteligente em Marte (não mais do que vinte supertelescópios ao redor do mundo – ou em órbita) foram manipulados. Providenciou-se que suas lentes e instrumentos, ao menos ao apontar para Marte, enxergassem imagens holográficas de pedras, crateras, areia e deserto.

A sociedade marciana tem uma tecnologia muito avançada para padrões terrestres. A ciência deles desenvolveu a capacidade de viajar além da velocidade da luz. Eles usam “buracos de verme” como janelas no espaço para pular para outro quadrante espacial. Eles dominam a tecnologia anti-gravitacional dentro da atmosfera de um planeta, a qual é usada por seus discos voadores (em geral de forma triangular) e naves-mãe enquanto na Terra. E eles usam também a tecnologia do teletransporte, dentre diversas outras tecnologias.

Em relação às religiões terrestres, elas também separam o sujeito do objeto. Religiosos, homens de fé e frequentadores de igreja em geral acreditam que Deus é uma entidade externa superior para ser adorada e venerada, e que eles são os pecadores. Esta entidade externa, alguns acreditam, seria capaz de julgá-los, puní-los ou premiá-los, e de controlar os seus destinos, e necessitaria de intermediários – as Igrejas e seus padres ou sacerdotes – de forma a transmitir a eles as palavras ou a sabedoria de Deus, de Seus representantes na Terra (o Messias ou fundador de cada religião), ou dos assim chamados “profetas”. Algumas religiões possuem diversos deuses, semi-deuses ou divindades, mas eles também são idolatrados ou venerados por seus seguidores.

Para os marcianos, Deus está dentro de cada um de nós. Não é algo separado de nós, nem algo que precise de intermediários, Messias ou “profetas” para se manifestar. Para eles, Deus – ou Unab, como eles gostam de chamar – está também no próprio Universo, e dentro dos átomos e moléculas. É a força que permeia tudo o que existe – matéria e anti-matéria, visível e invisível – e que você sente bem no fundo do seu coração.

Para os marcianos, não existe uma “Tábua dos Dez Mandamentos” ou algo parecido. Marcianos não pensam em termos de “certo” ou “errado”. O que são “pecados” senão dualidades não resolvidas na mente de alguém ?

Os marcianos desenvolveram praticamente todas as áreas de seus cérebros – todas as faculdades paranormais – que ainda estão latentes para parte dos terráqueos. Eles podem levitar, mover objetos, comunicar-se entre si por telepatia, e executar ações que desafiam as leis da física terrestre, como a interpenetração da matéria por exemplo.

Eles não consideram estas ações como “milagres”, mas tão somente como resultado de um desenvolvimento natural dos seus espíritos e de suas mentes. Eles simplesmente comandam os átomos e as moléculas dos objetos com a vontade e a sabedoria apropriadas para movê-los do modo que eles querem. É um esforço conjunto entre seu conhecimento científico e seus espíritos.

Se houvesse uma frase que pudesse definir os sentimentos marcianos em direção a “Deus”, ela provavelmente seria :

“Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o Universo”

Então enquanto a humanidade projetar a sua ganância e a sua mentalidade de “conquistar” ou de “tirar vantagens ou lucros” sobre outros mundos, ao invés de compartilhar e aprender com eles, todas as sondas e naves enviadas a Marte “encontrarão” apenas pedras, crateras e areia.

Em outras palavras, o objeto que é visto depende da mentalidade do sujeito. O fenômeno depende da mentalidade do observador. Marcianos sabem física quântica.

Mais de quarenta milhões de marcianos operam como personagens no palco Terra hoje em dia, além de mais dez milhões de seus aliados de outros planetas. A sociedade terrestre está organizada de uma forma tal que qualquer observador que tivesse a oportunidade de “provar” a existência do fenômeno provavelmente seria tentado a usar esta evidência para obter vantagem pessoal e conseguir fama, dinheiro e sucesso. O fenômeno seria transformado num circo. Os marcianos são espiritualmente desenvolvidos e não gostam disso. Você gostaria disso ?

Então um corolário baseado na Terra da frase acima seria :

“Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás os marcianos ao seu redor”

ou talvez :

“Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o marciano por trás da máscara”.

Não medite – seja!

Não pense que você é – seja!

Não pense sobre ser – você é!

cosmic man

Os ensinamentos de Sri Ramana apontam que o Ser (Self ou Atman [1]) ou Pura Consciência é a única realidade e o verdadeiro “Eu” de todas as coisas, e que isso já é naturalmente assim, não sendo necessário “alcançar” a Iluminação, mas apenas remover os obstáculos – mentais, imaginários – que aparentemente a ocultam. Em suas palavras:

 

O sentimento “eu não realizei” é o obstáculo à Realização. Na verdade já há a Realização. Não há nada mais a ser realizado. Se houvesse, a realização seria algo novo que não existia antes, mas que acontecerá em algum momento no futuro; mas tudo o que surge também desaparece. Se a Realização fosse algo assim não seria eterna e, sendo transitória, não valeria a pena ser buscada. Portanto, o que nós buscamos não é algo que vai começar a existir, mas sim aquilo que existe eternamente mas que está velado por nossas obstruções mentais. Tudo o que precisamos fazer é remover a obstrução.

Não existe o “realizar o Ser”. Como é possível real-izar, ou “tornar real”, aquilo que já é real? As pessoas “realizam”, ou encaram como real, o que é irreal, e tudo o que precisam é desistir de fazer isso. Quando você fizer isso você permanecerá como [realmente] é e sempre foi, e o Real será Real. Todas as religiões e suas práticas surgiram apenas para ajudar as pessoas a desistirem de ver o irreal como real.

 

O obstáculo ou ignorância espiritual (avidya ou ajnana), para Bhagavan, nada mais é do que a mente, que é um nome coletivo para todos fenômenos mentais ou pensamentos (neste termo também englobados outros movimentos tais como sentimentos, intuição, memória, sensação, insights, emoções, percepções, etc.). Transcendida a mente, a pessoa descobre que há apenas o Ser, que tudo é o Ser, e que sempre houve apenas o Ser, sem qualquer modificação. Ela compreende, por fim, que mesmo a mente (que era o aparente obstáculo ao Ser) nada mais é do que uma manifestação ilusória do próprio Ser, e que aquele que estava aprisionado era nada mais do que um produto da própria mente: um conceito.

 

Muito bem, este é o ponto que todas as práticas e filosofias que tem como essência a não-dualidade concordam. Agora, Ramana Maharshi aponta que todos os fenômenos mentais tem uma raiz única, um denominador comum, e que este é o pensamento-“eu” (aham vritti), ou ego. Em outras palavras: tudo o que surge na mente e todos os mais variados elementos da experiência humana tem como DNA comum esse sabor de “eu individual”. Tudo o que acontece no “meu universo” acontece para mim e – Bhagavan ousa dizer para aqueles que estão prontos a entender – sua própria existência depende da existência do observador. Esse “conceito de eu” nada mais é do que uma falsa identificação entre a Pura Consciência (que é por natureza imaterial, ilimitada e intangível) e o corpo.

 

O Eu Real é Pura Consciência. Porém, a pessoa se identifica com o corpo que é insensível. O corpo não diz “eu sou o corpo”. O Eu ilimitado também não o faz. Alguém diz – quem é? Um “eu” imaginário surge entre a Pura Consciência e o corpo inerte e se imagina limitado ao corpo. Busque esse eu e ele desaparecerá como um fantasma. Este fantasma é o ego, a mente, ou a individualidade.

 

O ego nada mais é do que uma distorção do Ser; ele é a primeira manifestação, o primeiro conceito de maya, e também a porta de retorno ao estado original. O Maharshi aponta que qualquer prática ou esforço espiritual tem como ponto de origem o ego (que é o “fazedor” do esforço e aquele que busca os resultados), já que o puro Ser não tem qualquer necessidade de prática espiritual, já sendo a própria Realidade do Nirvana. Sendo assim, todo “esforço espiritual” tem o condão apenas de alterar o ego, sublimando-o e purificando-o, mas não de “eliminar” o ego, já que a própria prática é baseada em uma noção equivocada de se estar em um “estado de não-iluminação”.

 

O Eterno só não é reconhecido como tal devido à ignorância; logo, a ignorância é o obstáculo. Livre-se dela e tudo estará bem. A ignorância nada mais é do que o pensamento – “eu” – descubra sua fonte e ele desaparecerá.

Como todos os outros pensamentos só podem surgir depois do aparecimento do pensamento-eu, e como a mente nada mais é do que um conglomerado de pensamentos, é apenas [voltando a atenção ao pensamento-eu] através da inquirição “Quem sou eu?”  que a mente será extinta. Além disso, o pensamento-eu – implícito na investigação “Quem sou eu?” – destruirá todos os outros pensamentos e, como a vareta usada para avivar a pira funerária, no final ele mesmo será consumido.

 

Qual é, então, a sugestão inovadora de Sri Ramana para transcender essa ilusão de “eu”? É de que, em vez que presumir que somos um ser individual (incompleto e imperfeito), e então adentrar em um árduo processo de purificação ou superação da mente – que é essencialmente não-existente – devemos apenas voltar nossa atenção para dentro e questionar a validade desse “eu”. Qual é a identidade do “buscador” ou “praticante”? Quem sou eu? Essa é a autoinquirição (atma vichara) ensinada pelo Mestre.

 

Este é o método direto. Todos os outros métodos só podem ser praticados retendo-se o ego, e neles surgem muitas dúvidas, enquanto que a pergunta última é apenas atacada no final. Mas neste método, a pergunta última é a única pergunta e ela é levantada desde o começo. A tentativa de destruir o ego ou a mente por outros métodos que não a autoinquirição é como o ladrão que se torna policial para pegar o ladrão que é ele mesmo. Apenas atma vichara pode revelar a verdade de que nem o ego nem a mente realmente existem, assim possibilitando a realização do Ser puro e indiferenciado do Eu Real ou Absoluto.

 

Mas, como “praticar” essa investigação? O método da autoinquirição, em uma palavra, consiste em manter a atenção focada internamente no puro sentimento de existir, o EU SOU, evitando qualquer associação, retornando sempre a este espaço através da pergunta “quem sou eu?”.

Explica-se. Conforme dito anteriormente, o ego – matriz do samsara – é essa “mistura” da Pura Consciência (que brilha como o puro EU SOU) e o corpo, que em si é inerte, e a voz dessa identificação é a impressão profunda de que “eu sou o corpo” ou “eu sou a mente” ou “eu sou isso/aquilo, assim/assado”. Enquanto o Ser é apenas o “EU SOU”, o ego é o “EU SOU + algo”, sendo este “algo” o que os hindus chamam de upadhi, ou adjunto limitador. É limitador porque qualquer coisa com a qual a Consciência se identifique lhe dará uma falsa sensação de ser aquilo, de estar contida nos limites daquele fenômeno, enquanto que todos os fenômenos são apenas movimentos observados dentro desse espaço-Consciência (chit-akasha), movimentos esses que tem como características aquelas três apontadas pelo Buda Gautama: impermanência, não-eu (vazio) e insatisfatoriedade. Portanto, quando a atenção, que é o aspecto dinâmico da Consciência manifestando-se enquanto ser humano, fixa-se no puro sentimento de EU SOU, a Consciência permanece enquanto apenas Ser, sem se associar com nada, não se manifestando como ego (que nada mais é do que uma distorção do Ser-Consciência). Com esse simples exercício o ego e todo o seu universo é imediatamente transcendido.

“Eu sou” é a realização. Seguir essa “pista” até o fim é a autoinquirição. “Eu sou” é o objetivo e a realidade final.

É natural que o conceito-de-“eu” retorne e se “prenda” ao Ser, assim parecendo ocultar a realidade. Contudo, com a prática constante dessa contemplação do EU SOU a atenção passa a permanecer na não-localidade da Consciência com cada vez mais facilidade e por cada vez mais tempo. Quando esse permanecer como “eu sou” – daí a frase do Ramana “seja quem tu és” – torna-se completamente espontâneo e inafastável, há o que se chama de Realização ou Iluminação.

 

Quando a mente investiga a sua própria natureza incessantemente será descoberto que não existe nada como “mente”. Este é o caminho direto aberto a todos.

Por trás de todos os pensamentos há um pensamento geral, que é o “eu”, ou seja, você mesmo. Mantenha-se neste pensamento-eu e investigue o que ele é. Quando essa investigação tomar conta de você, você será incapaz de pensar outros pensamentos.

A prática espiritual (abhyasa) consiste em retornar ao Eu Real toda vez que você for perturbado pelo pensamento.

Você não precisa eliminar nenhum falso “eu”. Como pode o “eu” eliminar a si mesmo? Tudo o que você precisa fazer é encontrar a Fonte do “eu”, e permanecer lá. O seu esforço só pode levá-la até este ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.

Este ego fantasmagórico, que não possui forma, surge agarrando-se a uma forma, e enquanto ele estiver apegado a uma forma e continua, mas quando investigado ele desaparece.

 

Embora Sri Ramana mencionasse que a experiência do Ser é sentida no corpo como se estivesse localizada no “coração espiritual” (no lado direito do peito), deixava claro que concentrar-se nesse centro não produziria a experiência, sendo apenas um efeito colateral desta. Bhagavan também deixava claro que a inquirição “Quem sou eu?” – podendo ainda ser feita como “Da onde eu vim?” – não é um processo de investigação intelectual, nem um mantra a ser repetido, mas apenas uma ferramenta para expor a irrealidade do eu individual.

 

A autoinquirição não é exatamente uma meditação formal, podendo ser feita em todos os momentos do dia. Independentemente da atividade em que estamos envolvidos, parte da nossa atenção pode estar sempre focada no “pano de fundo” de apenas Ser. Mesmo assim, para a maioria das pessoas separar alguns minutos do dia para sentar em silêncio com apenas isso pode ser uma ajuda valiosa.

 

D.: Qual é o momento do dia mais adequado à meditação?

B.: O que é “tempo”, “momento”?

D.: Me responda!

B.: O tempo é apenas um conceito. Existe apenas a Realidade. O que quer que você pense que é, ela aparenta ser. Se você a chama de tempo ela é tempo, se você a chama de existência ela é existência, e assim por diante. Depois de rotulá-la tempo você a divide em dias e noites, meses, anos, horas, minutos, e assim vai. O tempo é irrelevante para o caminho do Conhecimento. No entanto, algumas dessas regras e disciplinas podem ajudar os iniciantes.

 

Conquanto os ensinamentos de Sri Ramana se assemelhem em muito aos do Advaita Vedanta hindu tradicional, sua abordagem prática difere. A prática Advaita ortodoxa é feita através das negações e afirmações. Mediante a prática do neti-neti o buscador rejeita tudo aquilo que é percebido ou experimentado como sendo “não-eu” ou irreal. Pela prática das afirmações o discípulo faz uso das Grandes Revelações (mahavakyas), tais como “Eu sou Aquilo” ou “Eu sou Brahman (o Absoluto)”, mediante repetição mental de tais fórmulas. Bhagavan ensinava que tais métodos podem ser úteis para a aquietação da mente, mas que não são o método final ou mais direto. No caso do neti-neti, porque o ego que nega todas as outras coisas não pode negar a si mesmo; no caso dos mahavakyas, porque quem repete a assertiva e se convence da sua realidade é o próprio ego, que ao final deve ser abandonado. O ensinamento básico da auto-investigação de Ramana Maharshi é no sentido de que nenhuma atividade mental (tal como afirmação e negação) pode levar a pessoa além da mente ou destruí-la. Ao mesmo tempo, o Sábio aceitava a validade de todos os métodos e práticas como meio de purificar e acalmar a mente, preconizando que apenas uma mente pura e clara (sattvica) é sutil o bastante para compreender a Verdade. Ressaltava, contudo, que independentemente do caminho seguindo, no final o ego só poderia ser transcendido pela investigação “quem sou eu?” ou pela entrega.

 

Se a pessoa se entregar completamente, não sobrará ninguém para fazer perguntas ou para ser levado em consideração. Ou os pensamentos são eliminados agarrando-se o pensamento raiz, o “eu”, ou a pessoa se entrega incondicionalmente ao Poder Maior. Esses dois são os únicos caminhos rumo à Realização. [2]

 

Encerro esta exposição compartilhando algumas pérolas do Ramana Maharshi.

 

É verdade que o Ser do Guru é idêntico ao do discípulo. No entanto, apenas muito raramente uma pessoa pode realizar seu verdadeiro Ser sem a graça do Guru.

O silêncio é o ensinamento mais poderoso. Por mais vastas e enfáticas que as escrituras possam ser, elas não alcançam o seu propósito. O Guru é silencioso e com isso a paz prevalece em todos. O seu silêncio é mais vasto e mais eloqüente que todas as escrituras juntas.

Nenhuma teoria é necessária a um homem que sinceramente deseja chegar a Deus ou realizar seu verdadeiro Ser.

Apenas o Ser existe e é real. O mundo, o indivíduo e Deus são criações imaginárias dentro do Ser, tal como o aparecimento da prata na madrepérola. Eles aparecem e desaparecem simultaneamente. Na verdade, apenas o Eu Real é o mundo, o “eu”, e Deus. Tudo o que existe é apenas uma manifestação do Ser Supremo.

Não há mistério maior que este: que sendo a Realidade nós buscamos alcançar a Realidade. Nós pensamos que existe algo ocultando a Verdade e que isso deve ser destruído a fim de que possamos atingir a Verdade. É ridículo. Chegará o dia em que você vai rir de todos os seus esforços pretéritos. Aquilo que será no dia em que você rir também é aqui e agora.

Não há criação, destruição, prisão, desejo de libertar-se, esforço pela libertação nem ninguém iluminado. Esta é a verdade suprema.

 

 

Ramana Maharshi

Ramana Maharshi


[Artigo publicado na Revista Bodigaya nº 21, ano 2009. Veja também a versão integral desse artigo, que contém, além da parte aqui exposta, um esboço biográfico do Maharshi]

 


[1] Em nossa tradução do livro “Os Ensinamentos de Sri Ramana Maharshi em Suas Próprias Palavras” optamos pelo uso do termo “Eu Real”, que também é uma tradução válida. Neste artigo, contudo, achamos por bem traduzir mais como “Ser”.

[2] T., 321